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VERSOS DA MOCIDADE



Noiva do sol e minha noiva,
Minh’alma é, quando estás auzente,
Como um sepulcro que se engoiva
De maguas, funerariamente;

E em cujo fundo apodrecido
O Sonho, ezausto e sem assunto,
Como um cadaver esquecido,
Dorme de um sono de defunto.

Mas quando voltas, quando volta
Ao campo a veste de esmeralda,
E a natureza dezenvolta
Garridamente se engrinalda,

Sim, quando a rir surges e tornas,
Quando, radioza e alegre, assomas
No ceu, e sobre a terra entornas
As tuas ánforas de aroma,

Meu coração florece todo,
Por ele todos os rizos vêm...
E eu rio, rio como um doudo,
E sou feliz como ninguem!