Pesquisando/III/Conceituação do trabalho científico

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Pesquisando por Salvatore D’ Onofrio
Conceituação do trabalho científico


Conceituação do Trabalho Científico

Um texto escrito, independentemente do assunto, do tipo ou do tamanho, para poder ser considerado um trabalho científico deve apresentar certas peculiaridades. No dizer de um estudioso da metodologia da pesquisa (Severino, 18, p. 78),

“todo trabalho científico, seja ele uma tese, um texto didático, um artigo, uma resenha, tem que ter uma construção lógica, tornando-se uma totalidade de inteligibilidade, estruturalmente orgânica, formando uma unidade autônoma, inteligível para qualquer leitor que não tenha participado da sua elaboração”.

Refletindo um pouco sobre tal conceituação, percebemos que uma das qualidades essenciais de um trabalho de pesquisa é a coerência interna de sua feitura: qualquer texto científico tem que ter um começo, um meio e um fim, quer dizer uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão, as três partes que tornam o trabalho homogêneo e lhe conferem uma unidade autônoma, permitindo que possa ser lido e entendido em si e por si sem pressupor conhecimentos específicos sobre o assunto. A consequência dessa estruturação lógica é a sua inteligibilidade: todo leitor medianamente informado acerca do tema deve perceber a proposta do trabalho, a metodologia empregada e os resultados alcançados.

Podemos apontar outras características do trabalho científico: conter uma problemática, pois qualquer pesquisa relevante não parte de premissas indiscutíveis, navegando na dúvida, encontrando dificuldades e controvérsias no árduo caminho da busca da verdade; revelar uma experiência crítica: independentemente do tema tratado e do resultado obtido, um trabalho de pesquisa funciona como treinamento para ordenar dados e se acostumar a refletir sobre eles; apresentar alguma novidade: o pesquisador responsável nunca escreve apenas pelo prazer de escrever ou por obrigação profissional, arriscando “chover no molhado”. Qualquer trabalho intelectual deve ser uma contribuição, por menor que seja, para o progresso da ciência e em benefício da coletividade. Pesquisar não é repetir, transcrever ou parafrasear o que os outros já disseram sobre o assunto, mas, utilizando a tradição cultural já existente, acrescentar algo de novo que aprofunde ou esclareça o tema em pauta. Enfim, o aspecto mais importante do trabalho científico é seu processo terapêutico: a busca da verdade, independentemente dos resultados, já é um fator de enriquecimento espiritual e de satisfação pessoal! Apresentamos, a seguir, as várias etapas da elaboração de um trabalho de pesquisa: