Pesquisando/V/Monográfico/panorâmico

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Pesquisando por Salvatore D’ Onofrio
Monográfico/panorâmico


Monográfico/panorâmico

O prefixo grego monos (de onde derivam palavras como monge, mosteiro, monossílabo, monolítico, etc.), correspondente ao latino solus (solteiro, solitário, solidão), significa um só e graphein = escrever. Como se pode verificar, etimologicamente, monografia define um trabalho intelectual concentrado sobre um único assunto. Portanto, é errado confundir monografia com tese de doutoramento, dissertação de mestrado ou trabalho final de curso universitário. Qualquer pesquisa pode ser chamada de monográfica se verter sobre um tema único, desde um artigo de revista até um tratado de métrica. E, vice-versa, uma tese para um concurso acadêmico não tem que ser necessariamente monográfica, podendo abranger vários aspectos de uma realidade.

Enquanto o trabalho monográfico focaliza um tema peculiar, o estudo panorâmico apresenta o assunto em toda a sua amplitude. A opção por um ou outro tipo depende da vontade do pesquisador e, sobretudo, da natureza do assunto. Se a matéria a ser estudada já é do conhecimento de um grande público, não tem sentido realizar um trabalho panorâmico, sendo mais prudente a abordagem de um assunto peculiar, ainda não explorado satisfatoriamente pela crítica. Assim, por exemplo, realizar um trabalho de pesquisa sobre toda a ficção de Machado de Assis, aqui no Brasil, onde o autor e suas obras já foram exaustivamente estudadas por críticos ilustrados, seria uma temeridade, pois o pesquisador, inevitavelmente, acabaria fazendo ‘chover no molhado’. Já um trabalho panorâmico sobre a vida e a obra de um poeta, artista ou cientista de alguma região interiorana de nosso imenso país, desconhecido pelo grande público, seria uma contribuição relevante, por ser uma novidade no âmbito da cultura nacional.

O mesmo diga-se de um estudo global sobre uma personalidade que produziu suas obras fora do Brasil. Realizar um estudo de apresentação da totalidade das obras de um filósofo, cientista, literato, artista plástico, cineasta ou músico (pensamos em Kafka, Pirandello, Sartre, Einstein, Marx, Freud, Mozart, apenas para citar alguns nomes) pode ser uma contribuição de grande interesse para nosso desenvolvimento cultural, visto tratar-se de gênios, mestres de um saber que deve ser necessária e internacionalmente divulgado. Enfim, o trabalho panorâmico está mais próximo do tipo didático, pois visa à difusão do saber, enquanto o monográfico se aproxima mais da pesquisa propriamente científica, preocupado como está com a produção do conhecimento. Os dois tipos de atividade intelectual (o científico estaria para a indústria como o didático para o comércio, se nos permitirem a formulação de tal equação para esclarecer melhor a diferença) são úteis e valiosos, implicando-se mutuamente, desde que realizados com rigor metodológico.