Pesquisando/V/Trabalho didático/científico

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Pesquisando por Salvatore D’ Onofrio
Trabalho didático/científico


Didático/científico

Essa oposição está centrada sobre a figura do destinatário do trabalho intelectual. Como já vimos ao tratarmos da redação, quem escreve deve ter sempre presente no espírito o receptor de sua mensagem. A palavra “didático”, segundo seu étimo grego, está intimamente relacionada com a atividade de quem ensina, do pedagogo, do professor. Chamamos didático, portanto, um trabalho direcionado à melhoria do ensino e da aprendizagem dos alunos. Um livro didático tem que expor da forma mais clara possível o conteúdo programático de uma matéria curricular de certa série e grau da escola pública e privada. Como contraponto a essa atividade de docência está a atividade discente: o aluno deve realizar tarefas como trabalhos didáticos de resposta para dar prova da aprendizagem da matéria ministrada nas aulas e exposta nos livros. Podemos considerar como paradidáticos os trabalhos não destinados à determinada série do grau de ensino, mas que visam a uma divulgação cultural mais genérica. Nessa classificação, estariam incluídos os dicionários, as enciclopédias, os livros de história das ciências, das artes e da filosofia, os manuais ou tratados de fundamentação teórica.

Já o objeto do trabalho científico não é o ensino, mas a pesquisa, buscando não tanto a divulgação quanto a produção do saber e tendo como finalidade não a exposição do conteúdo programático de certa área do conhecimento, mas a apresentação de algo novo, a interpretação diferente de um texto, com o intuito de contribuir para o progresso das ciências e das artes. Existem pesquisadores “puros” que passam sua vida em laboratórios ou investigando aspectos da realidade, a serviço de entidades públicas ou particulares. Este não é o caso dos professores do ensino público, contratados para exercerem atividades de docência, de pesquisa e de prestação de serviços, em regime de tempo integral. Para eles, docência e pesquisa são atividades complementares que se integram mutuamente. Se, de um lado, a investigação científica eleva o nível das aulas, de outro lado, o contato com os alunos em sala de aula ou no convívio com seus orientandos estimula o professor à pesquisa no esforço de produzir um novo material para superar as falhas verificadas. A nosso ver, pode existir um pesquisador que não seja professor, mas não um docente que não exerça também atividades de pesquisa, sob pena da degradação do ensino, em qualquer nível. Tanto é verdade que, nos países culturalmente avançados, nenhum professor de ginásio, de colégio ou de faculdade recebe sua remuneração por hora-aula. Todos são mensalistas com dedicação exclusiva ao ensino e à pesquisa, sendo pagos não apenas para ministrar aulas, mas também para sua preparação remota e próxima, a correção de tarefas, a orientação de trabalhos, a atualização do conhecimento. Um professor obrigado a ministrar 40 aulas semanais para poder sobreviver é o maior atestado da pobreza cultural de um povo!