Porém justamente espera

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Soliloquio de Me. Violante do Ceo ao Divinissimo Sacramento: glozado pelo poeta, para testemunho de sua devoção, e credito da veneravel religiosa. por Gregório de Matos
VIII
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsPessoas Muito Principais
Mote

Porém justamente espera
cada qual chegar-vos logo
porque a suspiros de fogo

nunca vos negais esfera


1Esta alma, meu Redentor,
que vos busca peregrina,
por vossa grasa divina
suspira em contlnua dor:
diz, e protesta, Senhor,
que se mil vidas tivera,
todas por vós as perdera,
e não só não se embaraça
no pedir da vossa graça,
Porém justamente espera.

2Espera, e não estranheis
o confiar de um preverso,
que pertende já converso,
que a todos, Senhor, salveis:
peço-vos, que nos livreis
desse dilúvio de fogo;
ouvi por todos meu rogo,
inda que vos não compete,
que todos juntos, promete
Cada qual chegar-vos logo.

3Porque se abrasado o peito
vosso amor está chamando,
não é muito, que chorando
seja cada qual desfeito:
bem posso formar conceito
desta causa, Senhor, logo,
pois vós ouvistes meu rogo,
e atendeis à minha mágoa,
porque vós venceis com água
Porque a suspiros de fogo.

4Arde meu peito em calor,
se bem estou anelando,
quando me estou abrasando
em tanto fogo de amor:
se se realça o ardor,
que um peito amante verbera
quem o favor não espera
de tanto carinho ao rogo,
se a chamas de ativo fogo
Nunca vos negais esfera?