Quatro regras de diplomacia/I

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Quatro regras de diplomacia por Frederico Francisco de Figanière
I: Agradar
Transcrito segundo a grafia original.

QUATRO REGRAS

DE

DIPLOMACIA



I

Agradar


Até aos tempos modernos não era reconhecido o direito de manter missões permanentes n'uma côrte estrangeira; mas unicamente de as enviar sobre negocios determinados.

N'esta ultima hypothese o Soberano não se podia recusar a receber o Enviado de uma Potencia independente e amiga, sem allegar motivos muito ponderosos; mas por outro lado esta não tinha rasão de se formalisar se, concluída a missão, fosse manifestado o desejo de que o Enviado se retirasse.

Com o tempo, porém, foi-se introduzindo o costume das missões permanentes[1]; e se não é já um direito incontestável , na falta de estipulações convencionaes, é pelo menos uma pratica observada tão geralmente que a recusa equivaleria a um rompimento[2]. A reciprocidade não é porém de obrigação, quanto á permanencia[3].

Dar-se-hia o mesmo risco quando a recusa se limitasse sómente a pessoa designada, a menos que não fosse fundada em motivos acceitaveis. Foi para afastar semelhantes conjuncturas que, no presente seculo, se adoptou a praxe de communicar previamente o nome do escolhido à côrte a que é destinado; e de aguardar a resposta antes de se proceder a respectiva nomeação. É formalidade tão acceite hoje, que a sua omissão pode produzir complicações muito desagradaveis, de que não faltam exemplos recentes. Em algumas Côrtes fôra já adoptada no seculo passado; e a Curia Romana não deixava nunca de communicar ao Governo Portuguez uma lista dos candidatos a nunciatura, antes de resolver definitivamente a escolha; como ao Papa Clemente XIV foi lembrado pelo Conde de Oeiras, depois Marquez de Pombal, em carta datada de 5 de outubro de 1769, ao restabelecerem-se as nossas relações com a Curia, depois da expulsão do Nuncio Cardeal Acciajuoli em 1760[4].

Sem entrar mais a fundo n'esta questão, basta o referido para nos convencermos de que, em ultima analyse, assiste a um governo o direito de não receber um Enviado estrangeiro cuja pessoa lhe seja desagradavel[5].

Por outro lado, mal se póde negar que é do interesse dos governos escolherem por seus representantes, pessoas que estejam no caso de agradar na Côrte para onde vão residir.

Esta conveniencia nem sempre tem sido attendida. Ha até exemplos em que os soberanos pareciam deixar-se aconselhar pela convicção contraria. Em 1112 o rei Luiz VI de França despachou, na qualidade de seu Enviado junto de Henrique I de Inglaterra, o celebre Roberto de Belesme, opulento e poderoso fidalgo da Normandia, dotado de extraordinario talento, e um dos melhores engenheiros militares, o Vauban, do seu seculo; mas ao qual por suas inauditas tyrannias e crueldades, o Chronista inglez Huntingdon apellidava «o terror dos proprios demonios[6].» Henrique estava então em Bonneville-sur-Touque, na Normandia; e o de Belesme vinha encarregado de obter a soltura de Roberto duque de Normandia, irmão mais velho de Henrique, que lhe havia usurpado os estados e a liberdade. Mas em vez d'isso perdeu o Enviado a propria liberdade; pois que o Inglez, já agastado contra elle, por motivos que não fazem ao nosso proposito, o mandou prender em presença de toda a sua Côrte, com o pretexto de ser vassallo seu de quem recebera aggravos; e Roberto de Belesme, expiando os crimes de um passado revolto, continuou preso até a sua morte, não obstante os queixumes e protestos do Rei de França[7].

É certo, porém, que têem quasi sempre prevalecido idéas mais sans; e para não accumular exemplos escusados, e fazer ver quanto é universal o sentimento que inspira as auctoridades desejosas de acertar na escolha dos seus representantes, lembraremos um costume antiquissimo do extremo Oriente, cuja civilisação todavia pouco tem de commum com a nossa. Era pois pratica dos reis de Java e das ilhas d'aquelle archipelago, empregarem mulheres para o desempenho das suas embaixadas; porisso que, segundo disseram os indígenas a Fernão Mendes Pinto, «ao genero feminino, pela brandura da sua natureza, dera Deus mais affabilidade e auctoridade e outras partes para se lhe ter mais respeito que aos homens, porque são secos, e por essa razão menos agradaveis á parte onde se mandaõ.» Mas para que a mulher escolhida (continua o author) «possa fazer bem feito o negocio que se lhe encommenda, não ha de ser solteira ...... ..; mas casada de legítimo marido» (e em seguida referem-se os motivos). Isto a proposito de uma das taes embaixatrizes, certa Nhay Pombaya, dama de seus sessenta annos, que Fernão Mendes vira chegar a Çunda, e a cujo desembarque assistira o Rei da terra fazendo-lhe grandes honras[8].

Apesar do variam et mutabile semper femina, a que Francisco I e tantos outros tem subscripto, inclusivamente o nosso Francisco de Moraes, quando diz que ater pouco assento é condição de mulheres, no qual, além d'isso, nunca perde ensejo de arremessar as suas farpas contra o bello sexo[9]; e embora a constancia e a firmeza sejam duas qualidades das mais preciosas do diplomata, é todavia certo que as mulheres têem mostrado, bastantes vezes, grande e especial aptidão para as lides diplomaticas; como se conhece do quinhão que algumas tiveram em negociações mais reconditas dos ultimos dous seculos. No principio do XVIII, depois de interrompidas as nossas relações com a França, por occasião da guerra dos alliados contra Philippe V de Hespanha, os interesses d'aquella Potencia na Côrte de Lisboa, foram confiadas a Madame d'Elvas, aliás Duverger, cuja intelligencia, saber e habilidade eram muito gabados pelo Agente francez em Madrid, com quem ella se correspondia[10].

Voltando porém da nossa digressão, ao assumpto principal, não insistiremos n'aquillo que a experiencia geral approva como fundado na natureza humana — na propria essencia, não no accidente; e, como bem retlete Haller, na sua «Arte de negociar,» a propensão dos homens, por muito esclarecidos que sejam, de estimar o que lhes da gosto, apreciando mesmo em demasia o que lhes merece o minimo agrado, faz com que se achem desde logo favoravelmente prevenidos para com as suggestões de uma pessoa prezada, cuja vista já prepara o campo da persuasão, adquirindo anticipadamente um peso consideravel todas as razões de que essa pessoa vem armada. Uma aversão secreta, pelo contrario, incita-os a acautelarem-se contra qualquer proposta; creando difficuldades in limine, fazendo mal interpretar as palavras, e enfraquecendo a força dos argumentos da pessoa que é objecto d'essa aversão.

Sendo pois tão util ao Estado que o seu representante n'uma côrte estrangeira seja pessoa grata, o corollario que d'ahi se segue é que a este convém, como regra de conducta, subordinada sempre aos interesses do seu paiz, tirmar os seus creditos e tornar-se bem quisto do Governo junto do qual é acreditado, e da sociedade em cujo meio passa a residir.

Tornar-se bem quisto.... eis uma prova de que nem todos sahem a seu talante, ou segundo as suas previsões.

No tempo da segunda republica Franceza, estavamos no principio da nossa carreira, servindo de addido de Legação em Washington, cujo Chefe era nosso presado pae, que Deus haja. Um dos cavalheiros que successivamente representaram aquella republica nos Estados Unidos, apenas desembarcado em New-York, onde tinha amigos, foi convidado a um grande jantar que lhe offereceram, publicando-se nos jornaes os discursos proferidos n'aquella occasião. O novo Ministro, julgando sem duvida agradar não sómente aos amigos presentes, senão tambem ao publico e ao Governo, que no dia seguinte não deixariam de ler o seu discurso, foi franco e sem reserva nos seus protestos democraticos, e nos seus votos enthusiastas pela fraternísação das duas republicas. Parece porém que o seu procedimento produziu um ell'eito contrario em Washington, para onde foi em seguida entregar ao Presidente a sua Carta Credencial; ao passo que alguns jornaes tambem o não pouparam. Em summa, a sua missão durou pouco tempo. Era homem de talento; mas, ao que parecia, muito radical para o gosto americano.

Lembra-nos outro caso do mesmo genero, occorrido durante a nossa residencia em Londres como secretario de Legação. Para aquella Côrte foi nomeado Ministro dos Estados Unidos um advogado distincto, orador, e homem politico muito estimado no seu paiz, e já bastante conhecido em Inglaterra, cuja imprensa, tecendo-lhe elogios, parecia augurar bem de semelhante nomeação. Chegado a Liverpool, pronunciou elle o primeiro de uma serie de discursos publicos, a qual continuou em Londres, depois da sua recepção pela Rainha, e em outras cidades do Reino-Unido, para onde se dirigia a convite de diversos grupos de admiradores seus. Com quanto esses discursos versassem geralmente sobre os interesses commerciaes dos dous paizes, sendo este assumpto um dos que tanto se liga com a politica n'um povo como o inglez, difficil seria evitar os attritos. Os entendidos sentiram logo a inconveniencia que se estava commettendo, e que não podia agradar ao Governo territorial. Uma parte da imprensa, que lhe fizera acolhimento muito lisongeiro, começou tambem a manifestar enfado; e não tardou que o orador-diplomata, vendo que o Governo e a imprensa d’além do Atlantico igualmente se mostravam pouco satisfeitos, deliberasse sollicitar a sua exoneração, que lhe foi concedida.

Em Athenas, onde os negocios se tratavam na praça publica, e em Roma, onde eram affectos ao Senado, os dotes oratorios eram um dos predicados essenciaes do Embaixador. Se o dito de J. J. Rousseau: «il ya plus d'erreurs dans l’académie des sciences que dans tout un peuple de Hurons[11]», não era mais do que um desafogo de mau humor, é comtudo certo que as assemblêas, por illustres que sejam os homens que as compõem, são muito mais propensas a deixarem-se dominar pela paixão do que o individuo isolado; ao ponto que a propria nobreza, deliberando em corpo, tem-se mostrado não raro simples povo. Era pois o orador naturalmente chamado a exercer as funcções de Enviado n'aquelles tempos, em que convinha, mórmente a nações fracas, captar a benevolencia de assembléas mais ou menos numerosas; e a palavra «orator» é muitas vezes synonymo de «legatus»

Mas esse estado de cousas tinha mudado completamente; pois que até nas dietas da Europa moderna, apresentando os ultimos vestigios do systema de negociar directamente com corpos collectivos, as circumstancias nem recordavam já as que apresentavam as situações parallelas da antiguidade. Os discursos, por exemplo, do habil plenipotenciario francez, Pierre Jeannin, pronunciados em sessões plenarias dos deputados dos Estados Geraes das Províncias Unidas, respiram um teor desapaixonado tão proprio de composições diplomaticas, e não os movimentos sacudidos da eloquencia e rhetorica antigas[12]. Assim mesmo Jeannin foi uma excepção no seu genero; por isso que n'aquelles tempos os letrados não costumavam figurar na primeira plana das embaixadas; mas sim algum personagem graúdo, em quem o erudito e o orador não teriam razão de ser.

O Dr. João de Faria, dando conta a el-rei D. Manuel da recepção em Roma da celebre embaixada de Tristão da Cunha, é um tanto emphatico quando allude á falla (em latim) de um dos Embaixadores Imperiaes, accrescentando: «porque este senhor Alberto de Carpe he grande orador, com quanto he senhor de vasalos e grande estado» e da a entender que, salvos este e o castelhano, os demais Embaixadores não fallaram por sua bocca[13]. De feito, os discursos do estylo eram então de ordinario commettidos aos doutores e letrados que acompanhavam as embaixadas, quer como Embaixadores de segunda ordem, quer na qualidade de addidos ou de secretarios. Em 1559, escrevia o Embaixador Lourenço Pires de Tavora a El-Rei, que tinha escolhido Achilles Estaço para fazer e recitar a oração da obediencia a Sua Santidade[14]. É no mesmo espirito que se exprime Brantome, quando, ao manifestar a opinião de que o cargo de Embaixador fosse provido antes em homens d'espada, do que em prelados ou homens de lei, observa: «car enfin un homme de lettres, que peut-il faire de plus qu’un homme de guerre en cela, sinon de mieux faire une harangue en une assemblée? Cela sent mieux son prédicateur ou son pédant, que son ambassadeur d'un grand roy[15]»

Houve, pois, nos dous casos referidos acima, um como regresso á praxe de epochas passadas, e desconhecimento das condições e conveniencías da diplomacia hodierna, proveniente da falta de pratica ou de vocação; d'onde se conhece que o talento só de per si não basta para constituir um diplomata. Na tentativa, quiçá, de estabelecerem desde logo os seus creditos, e de grangear a benevolencia do publico, como se este devesse servir de medianeiro entre elles e o Governo do paiz, experimentaram aquelles personagens o desengano a que tão errado caminho havia de forçosamente conduzil-os.

Vem a ponto, talvez, lembrar a embaixada que de Castella veiu a Portugal em outubro de 1440, a qual, entre outras incumbencias, trazia a de obter para a rainha-viuva D. Leonor, a restituição do regimento, ou regencia, d'estes reinos, de que fôra privada em beneficio do infante D. Pedro; ou, aliás, que a deixassem passar para Castella. Os Embaixadores, com o fimm (já se vê, occulto) de abalarem o animo do povo Portuguez com o receio da guerra, e desligal-o do partido do Infante em prol das pretenções da Rainha, «pediram ao Regente lugar e licença pera esta mesma embaixada hirem dar pellas Cidades e Villas, e assim aos principaes do Reino; mas o Regente por ser cousa nova e entam desusada, o nom outorgou nem consentiu, e se escusou com a semrezão d'elles, e com outras rezões assaz justas e onestas[16].» Pretendiam nada menos de que revolucionar o paiz! Era ingenuo pedirem licença para isso; mas ao menos foi pedida, não tomada.

É mais facil apontar os escolhos que o diplomata deve evitar, do que prescrever o caminho a seguir; pois que os caminhos são diversos como as indoles dos homens: quot capitum vivunnt, totidem studiorum millia.

Entre esses escolhos ha alguns que o simples bom gosto faz logo pre-sentir; como sejam os dous extremos da adulação ou da detracção, os quaes provocam desprezo ou odio. Se, como diz Machiavelli[17], o Principe não deve expôr-se nem a um, nem a outro, aos que o representam cumpre tambem fugir-lhes.

Nem viria ao caso recordar aqui a conducta de um Prusias rei de Bythinía, que, vindo em pessoa cumprimentar o Senado Romano, com o cabello rapado, vestido e calçado de manumisso, exclamou, ao aproximar-se a deputação que o vinha receber: «Vedes aqui um dos vossos libertos, disposto a quanto vos possa agradar, e a conformar-se a todos os vossos costumes»; accrescentando, ao ver-se em presença dos Senadores reunidos, e depois de se ter prostrado a beijar o limiar da porta: «Saude-vos, deuses salvadores!» A consciencia que teria da propria abjecção, e do merecido desprezo, não deixaria certamente de lhe aguar o prazer do acolhimento amavel que obteve, se elle não fosse de animo tão vil, como se mostrou em outras conjuncturas[18].

Mas do que nem todos parecem persuadidos, é da inconveniencia, senão do perigo, de manifestar uma inclinação exaggerada para a politica interna da Côrte onde residem, fazendo-se partidarios da situação. Se já no antigo regimen não era para se aconselhar, maiores são os riscos que involve semelhante modo de proceder n'estes nossos tempos, em que, pelo systema constitucional, o governo de hoje pode amanhã converter-se em opposição. Alem do que, não é só a boa vontade do Governo que o diplomata se empenha, ou deve empenhar-se em cultivar, senão tambem a da sociedade; e as relações que mantém com esta não se cifram nos meros ocios dos salões; deve tambem saber tirar partido d’ellas, creando uma posição que lhe facilite o desempenho da sua missão no sentido mais lato, qualquer que seja o partido que estiver no poder. E como ha de conservar semelhante posição, mostrando-se dominado pelo espirito de partido? Se, pela sua índole, é dado a propensões d'esta natureza, deve ao menos forcejar em reprimir no intimo as suas opiniões, por quanto, agradando a uns, ha de offender os outros. É porém um dos escolhos em que o piloto-diplomata parece arriscar-se bastante: sem necessidade de desenrolar a bandeira que segue por affeição, poucos ha todavia com animo ou pericia sufficiente para a encubrir de todo.

Até aqui, quanto ao alludido extremo, a adulação. Do outro, isto é, da detracção, censura e satira, — em que de certo ninguem que deseje agradar ha de pensar sequer; mas no qual, assim mesmo, alguns não deixam de tocar por habito ou esquecimento, — com quanto seja em these menos condemnavel do que o primeiro, por não ser ao menos attentatorio da dignidade pessoal, deve comtudo guardar-se o agente estrangeiro com igual cuidado, pelas pessimas consequencias que d'ahí podem resultar em prejuízo das relações que é sua obrigação crear, manter e fomentar. É todavia um escolho que, segundo parece, se despreza talvez com mais frequencia e leviandade do que o ultimo em que fallámos.

O escarnecedor, e outros typos congeneres, não são mui raros entre os diplomatas. N'alguns é impulso espontaneo, nascido de certa graça genuína no dizer; em outros é mera vaidade, inspirada pela presumpção de serem dotados d'essa graça, que na realidade não possuem; n'outros, finalmente, é habito inveterado, senão queda natural da maledicencia, que de farta as vezes se enerva até, como succedia ao Demonio, no poema de Lermontoff, o qual:

Andava semeando o mal sem goso,

....…....…....…....…....…....…....…

Até que o proprio mal o aborrecia[19].

Quando o impulso dos primeiros é moderado pela urbanidade e discrição, o mal não é grande. Não esta no genio dos segundos serem discretos; mas o mal tambem não é maior, porque esses só se tornam ridiculos. Quanto aos do terceiro grupo, sendo raramente governados pela prudencia, não conseguem encobrir por muito tempo a sua mordacidade, nem os sentimentos acerbos que os dominam; e acabam por geralmente cahir em desagrado. E se por ventura, pelo despeito, perderem de todo o dominio sobre si, desfazendo-se em censuras e commentarios desagradaveis, tornam-se então aborrecidos, e a propria posição intoleravel.

Temos assistido a casos d'esta natureza. N'um d'elles, a pessoa representava uma das grandes Potencias. Fiado talvez n'esse apoio, emittia sem reserva e sem rebuço as suas Opiniões a respeito do paiz da residencia, as quaes não peccavam pela lisonja. N'isto era secundado pela esposa, que tomava à sua conta os usos e costumes da sociedade, com a aspereza de um Juvenal, mais do que com o sabor e graça do poeta de Bilbilis, que talvez lhe houvera valido algum desconto. Em paga d'isso, boa parte d'essa sociedade foi-se, a pouco e pouco, despedindo do casal intolerante; até que, affinal, a cabeça d’este reciprocou a cortezia, dando a sua demissão, que foi acceita.

Nem sempre acontece, porém, que o desfecho seja tão pacifico e comparativamente innoxio. Temos d'isso dous conhecidos exemplos que se deram em Lisboa o seculo passado nas pessoas dos Embaixadores de França, o Abbade de Livri (1724) e o Conde de Merle (1759-60). Á leviandade acintosa do primeiro, derivada da sua ambição pessoal, foi devida principalmente a ruptura das nossas relações diplomaticas com aquella Potencia, a qual durou cerca de quatorze annos[20]. A malevolencia do segundo contribuiu muito para azedar o animo do Gabinete Francez contra o de Lisboa, e precipitar o rompimento formal por ensejo do famoso Pacto de Familia[21].

Em geral, o homem entendido e experimentado occultarà o juizo desfavoravel, que por ventura tenha formado a respeito do paiz, da gente, dos costumes, etc., quando não seja a preposito manifestal-o com um fim determinado, conjunctura aliás rara. Ha mesmo occasiões em que conviria attenuar defeitos, embora reconhecidos no intimo; e até defender o que talvez provocasse a censura de nacionaes. É ao menos politica prudente, quando observada com discrição. Em regra não gostamos de ouvir os apoiados de estrangeiros, ao declamarmos contra o que se passa em casa. Se, pelo contrario, estes se calam, não estranhamos; e se se dignassem contrariar-nos em nosso proprio abono, por mais que portiassemos em nosso arrazoado, sentir-nos-hiamos movidos pela sympathia, nem desestimariamos até darmo-nos finalmente por vencidos. Mas se os forasteiros se atrevem a secundar os nossos dicterios com apoiados, esfria-se-nos logo o discurso, invade-nos a desconfiança, e se não fosse o pejo da reconsideração, investiriamos em continente com elles em sentido contrario. Ha excepções, sem duvida; mas essa é a tendencia geral, e só ella nos pôde servir de governo seguro, em quanto não conhecemos a fundo as pessoas com quem praticamos.

Será semelhante politica a dobrez e iingimento da má fé ou da hypocrisia? Tanto como a apparente resignação alegre ou satisfeita, que se exigia na victima dos sacrifícios antigos; ou tanto como a repugnancia manifestada pelos novos eleitos ao tomarem assento na Cadeira de S. Pedro. São formalidades que tinham e têem a sua razão de ser. Aquella politica seria apenas uma leve offuscação da sinceridade em beneficio da polidez, cortezia e boa convivencia. De resto, quem na hypothese nada quer ceder a uma tal exigencia, cale-se ao menos; mas não apoie por muito que mereça a sua approvação.

A par do bom gosto, a vaidade e a affectação nas suas diversas modalidades; eis o que se ve e se tem visto sempre no grande palco da convivencia humana, sendo o que tambem naturalmente se encontra na esphera mais restricta dos círculos diplomaticos. Se ali ha antipathia entre essas duas causaes, o mesmo acontece aqui.

O vaidoso e petulante, se não tiver grande maestria em contrafazer-se, ou um dominio absoluto sobre si, o que não é da sua essencia, mas que, sendo adquirido por força de vontade, significaria emenda de defeitos e o triumpho da virtude, que o collocaria fora do caso supposto — o vaidoso e petulante, pois, em vez da paz que deveria ministrar, achar-se-ha sempre em conflicto. Assim aconteceu a Rainero Zeno, embaixador Veneziano em Roma, nos pontiticados de Gregorio XV e Urbano VIII, tão cheio de si, que até no proprio relatorio, dirigido ao Senado em 2 de novembro de 1623, não duvidou affirmar que com duas palavras reduzira a nada os argumentos do Santo Padre; que a Divina Magestade lhe dera o talento de penetrar os pensamentos reconditos dos homens mais reservados; que o sobrinho do Papa se persuadira a final de que com elle, Zeno, não havia meio de manter illesa a sua presumpção de ser impenetravel a todos, e que nada temia tanto como o «fracasso» que elle, Zeno, faria, e o «retumbar» dos seus protestos, etc.[22] Este typo não caducou de todo; temos encontrado d'elle um ou outro exemplo.

Escusado é dizer que os excentricos não são bons modelos a seguir. Um chefe de Missão, conhecido outr'ora no Rio de Janeiro, e depois em Washington, tinha por costume fazer do dia noute e da noute dia; ao ponto que ulteriormente se tornara invisivel desde a madrugada até ao sol posto, tendo a casa aberta e illuminada em quanto não assomasse a aurora. O incommodo para outrem é facil de imaginar! Excentricos d'esta ordem estariam para a côrte onde residissem quasi na mesma relação que certo povo para a sociedade antiga em geral. Segundo Xenophonte, os Mosynæcos faziam em publico o que os demais povos só se permittem ás portas fechadas; fazendo pelo contrario a sós comsigo o que os outros costumam praticar diante de testemunhas[23].

A respeito de certo chefe de Missão, cujo conhecimento pessoal só fizemos annos depois de elle se achar fora do serviço, ouvimos diversos casos referentes à sua mania de matar gatos com uma espingarda de sala, sem se importar com o risco que corriam os vizinhos. Era tão dextro no manejo da arma, e n'esse ramo do exercicio venatorio, que nenhum gato lhe apparecia debaixo das janellas sem deixar ali a vida; era uma verdadeira matança dos innocentes animaes, tendente a exterminar na localidade a raça felina. As advertencias das authoridades de nada serviam, até que um dia, segundo ouvimos, houve motim e assuada do povo em frente da Legação.

Les esprits forts savent-ils qu'on les appelle ainsi par ironie? diz La Bruyère, com referencia aos incredulos. O mesmo se póde dizer com applicação ao bel-esprit, ao beauparleur, ao précieux, e aos que fazem de «importantes›, de «sabedores», etc. D'estes, alguns, levados da prudencia, são domi leones, foras vulpes, segundo a expressão de Ganymedes, no festim de Trimalchio; e com elles nada temos. Mas quem se não lembra de ter visto entre esses discipulos do filho de Maia, um ou outro que, pela postura, pelo pausado no fallar, por um silencio estudado, quer dar a entender que ha ali debaixo muito mais do que deixa apparecer — um poço insondavel? Vêde aquelle que meio absorto, meio acumulado, parece ser dos mais graduados na arcani disciplina dos príncipes; somos tentados a perguntar-lhe — que noticias nos traz do Céo?[24] E ess'outro, que da ponta do riso, se é que se digna rir, deixa cahir epilepticamente as palavras; é um verdadeiro gotejar do algeroz depois da chuva. Vimos um tão avaro d'ellas, que nem chegava a formar os periodos; porque, no seu entender, cada uma que se desprendia era uma perola solta. De outro nos recordamos, como se ainda o vissemos, a fazer de tartamudo: não gaguejava uma phrase que não fosse um fusilar de espirito, ou um dito de profundissima significação.

A esses typos, que felizmente não são dos mais vulgares, seria preferivel o cerebrosus de Horacio Flacco; porque, em depondo a ira, unica paixão sem outra opposta, pelo menos cahe em si.

Entre os grupos a que se poderia ainda dar a mesma classificação geral, talvez se deva incluir aquelle a cuja conta pertencem os chefes de Missão que, ao fallarem dos empregados da Embaixada ou Legação, costumam dizer: «meu Secretario,» «meu Addido.» São porém prudentes. E raro ouvil-os dar prova d'essa sua fatuidade na presença dos interessados. Até onde alcançam as nossas observações, tão nescia tendencia é geralmente um privilegio caracteristico d'aquelles que devem mais à fortuna do que á educação.

Os homens de verdadeiro merecimento desprezam semelhantes artificios, digamos boamente, imposturas; nem aspiram aos foros do charlatão. Aquell'outros pelo contrario parecem persuadidos de que, em logar de se tornarem ridiculos ou aborrecidos, vão conformes com o exemplo do primeiro Conde-duque de Olivarez, que, segundo se conta, nunca o viram com o riso na bocca, e cuja impassibilidade e presença de espirito estavam á prova dos maiores abalos; a tal ponto que, para anuunciar ao Rei seu amo a revolução de Portugal, disse-lhe que o Duque de Bragança tinha perdido a cabeça, e que a sua loucura proporcionava a Sua Magestade uma confiscação de bens na importancia de doze milhões. Coitados, não percebem a differença que vai de um rei nato a um rei de comedia!

Os que afecctam um espirito requintado têem a preencher papel mais difficil do que aquelles que se fiam só do gesto e pertencem ao genero «poseur»; e quando por ventura se não revelem desde logo, por terem talvez alguma habilidade, é de presumir que d’ali sempre tirem certo proveito. É possivel. Só diremos que poucos parecem ter essa habilidade. Não a tinha, em todo o caso, certo diplomata, outr'ora conhecido nosso, o qual, tendo-se por um Duque de Roquelaure ou por um Marquez de Bievre, raro abria a bocca sem que desse sahida a um equívoco ou jogo de palavras; pois que infelizmente para elle eram demasiadas vezes da força d'aquelle attribuido aos ebrios na «Gargantua», de Rabelais

Le grand Dieu fait les planètes, et nous faisons le plats nez. Como podia tomar-se a Serio um farçante d'estes?

Assim como Hippoclides perdeu a mão da filha de Clisthenes por ateimar em mostrar quanto excedia na arte de Terpsichore, ou do saltimbanco; assim tambem foi, quiçá, pelo muito que ostentava o seu especial «talento» que o cavalheiro em questão perdeu o seu cargo, passando a ser aposentado. Disse porém de si o primeiro, com menos galanteria, que isso «pouco importava a Hippoclidespo o que talvez não dissesse o segundo.

«O homem a chocarrices dado,
É aborrivel ou desprezado,»

é uma das sentenças do califa Ali, o Salomão dos Mahometanos.

De outro sabemos nós que, encarregado de uma missão especial, veiu precedido da fama de «beau-parleur,» de mestre em rhetorica no genero suave; sendo opinião de alguns que isso lhe preparou o campo tão cabalmente, que lhe abbreviou o termo da negociação... mas ao avesso do que elle desejava.

Quão differente é o modo de proceder dos homens de um merecimento superior! Ao despedir-se de uma das côrtes do norte, onde passara alguns annos como chefe de Missão, deixou ali muitas saudades um dos estadistas que hoje figuram na alta politica Europêa. Mas com quanto os seus talentos fossem apreciados pelos que mais intimamente o conheciam, e o sal attico dos seus repentes e agudezas lhe houvesse grangeado a admiração dos que mais o frequentavam; muita gente da sociedade ignorava ainda os altos quilates d'aquella intelligencia privilegiada; e talvez ninguem previsse, nem sequer por sombra, o destino que em breve lhe era reservado. É porque não fazia alarde de si; antes se retrahia. A verdade é que nem a todos é dado serem engraçados de um modo natural, urbano e genuíno. Os que têem esse dom, os donairosos, que se aproveitem d’elle, e fazem muito bem. Aquelles, porém, que o não receberam no berço, farão melhor em não alimentar o genero artificial e espurio, dando tratos ao espirito sem illudir ninguem senão a si proprios. N'estes, a impostura descobre-se logo; falta-lhes, por assim dizer, o encarnado dos esmaltes, que so nos genuinos existe, porque nunca foi imitado dos modernos. O mais avisado e circumspecto é contentar-se cada qual em exercer e cultivar os recursos que Deus lhe concedeu; e, em logar de as patentear a torto e a direito, reservalcos para quando forem opportunos. Lucio Bruto conquistou fama e gloria por saber conter-se, figurando por menos do que era, até chegar o momento prepicio para se revelar; e ainda que isso não passe de lenda, vale mais do que muito facto averiguado, como exemplo e lição de prudencia e fortaleza.

Quanto ao lado positivo da doutrina sujeita, não temos a presumpção de emittir juizo, ou offerecer conselho.

Se a vossa eleição for devida a preconizados dotes e merecimentos, estareis mais no caso de ser mestre que discípulo.

Se tiverdes já trilhado com proveito os degráos que conduzem á summidade do officio, em lá chegando nabis sine cortice.

Para os que não cabem n’uma ou n’outra d'essas duas categorias, não ha ensino que preste em descampado tão sem limites; ou por caminhos ha muito abertos e batidos, por sendas e veredas antiquissimas, mas acompanhadas de paizagens sempre novas, onde, entrando invariavelmente os mesmos elementos, são infinitas as modalidades que d’elles nascem.

Ponhamos, pois, remate a este capitulo com uma maxima, que talvez seja a synthese de quanto n'elle se tem expendido. Na communhão, ou convivencia mais ou menos intima, a que o Enviado for admittido na sociedade onde reside, se ás vezes lhe convier lançar de si o manto diplomatico, e fazer com que os outros se esqueçam por momentos do caracter de que se acha revestido; não se deslembre elle nunca do que representa, nem do que lhe cumpre fazer seja qual fôr a conjunctura; nem tão pouco de que a Diplomacia, em sentido lato, se póde definir — cortezia entre Nações.



  1. Isto já nos dias de Hugo Grotio, que não obstante parece desapprovar tal costume como desnecessario, por haverem taes missões sido desconhecidas dos antigos (vid. L. 2 e. 18 n. 7). Escrevia elle porém no seculo XVII. Hoje as relações internacionaes são tão intimas e seguidas que mal se prescindiria da permanencia; ao passo que seria mais dispendioso tratar os negocios por enviaturas especiaes.
  2. A missão permanente é hoje considerada como evidencia do estado da paz. Diz Bluntschli «(Dagegen) wird die Zulassung ständiger Gesanten als ein Act des Friedens betrachtet und in Kriegszeiten dieser friedliche Verkehr gewöhnich abgebrochen.» Vid. Das moderne Völkerrecht, § 163.
  3. Daraus, dass ein Stat ständige Gesante eines andern States empfängt, entsteht keine Verpflichtung des letztern States, ebenfalls ständige Gesante bei jenem State zu beglaubigen» Bluntschli, ibid. § 179.
  4. Sr Biker, Supp. á Coll. de Trat., T. XI P. I p. 226. Veja-se tambem a carta do Papa, a p. 234. — Comtudo a formalidade de se obter a sancção previa, ou a certeza do agrado da Auctoridade estrangeira, parece que não fôra de todo desconhecida dos antigos; porque, sob o anno de Roma 562, lé-se em Tito Livio: «Sub idem fere tempus caduceator ab Antiocho per P. Scipionem a consule petiit impetravitque, ut oratores mittere liceret regi» (L. 37 c. 45).
  5. «Dem Empfangstate steht es zu, gewisse ihm anstössige Personen sich als Gesante oder Agenten zu verbitten.» Bluntschli, obra cit., § 164.
  6. Letter to Walter; annexa ao Chronicle of Henry of Huntingdon, na edição de Bohn, pp. 311 e 312.
  7. Orderic. Vital. L. XI c. 44., e L. XII c. 21. — É evidente que um Soberano póde recusar-se a receber um subdito seu como embaixador de uma Potencia estrangeira; e geralmente nem se fazem, nem se admittem semelhantes nomeações. Não acontecia o mesmo quanto aos Legados do Papa, havendo muitos precedentes de serem revestidos d'este cargo, ecclesiasticos subditos do reino para onde eram despachados, do que o Cardeal Wolsey, em Inglaterra, é bem conhecido exemplo. N'uma carta de Gregorio VII dirigida a Manasses, arcebispo de Reims, a proposito da recusa que este fizera de ir ao synodo de Autun, para onde fora cidado pelo Legado Hugo, bispo de Dijon, allegando ser este ultimo seu inferior como membro do clero francez, estabelece Gregorio a doutrina que para ser Legado não era necessario ser filho de Roma, ou Cardeal, e que a Santa Só podia escolher os seus Legados d'onde melhor lhe parecesse, provendo n'este cargo quem estivesse mais no caso de ser util á Curia., etc.; e conclue intimando o Arcebispo para que preste obediencia à citação. Vid. Harduini Epist. Gregor. Papæ VII, L. VI ep. 2 (11 kal. sept. 1078). — O Cardeal D. Henrique foi nomeado Legado em Portugal por impetração do proprio Soberano, D. João III; e afim de que não viessem nuncios de Roma, esforçou-se este para que seu irmão conservasse aquelle cargo. Vide Sr. Mendes Leal, Quad. Elem. T. XII pp. 286 (s. 378), 371 (s. 535), T. XIII pp. 28 (s. 52), 92 (s. 138), 112 (s. 161), et passim.
  8. Peregrinações, cap. 172.
  9. Cron. de Palm. P. II c. 82, et passim.
  10. Santarem, Quad. Elem. das Rel. Pol. e Diplom. T. IV P. 2.ª pp. XIII e 810; Rebello da Silva, mesma obra, T. XVIII p. 242.
  11. Emile, L. 3.
  12. Négociations du Président Jeannin (1607–1609), passim. É verdade que as negociações propriamente ditas realisavam-se em conferencias a sós com o principe Mauricio, o conde Guilherme, Barneveld e outros. De resto, em Roma antiga, além das audiencias publicas dadas aos Deputados estrangeiros, concedia-lhes o Senado tambem audiencias particulares. Polyb. L. 30 § 1. — Veja-se, a respeito da recepção do Ministro Portuguez João de Guimarães, pelo Parlamento Britannico em 1648, Quad. Elem. T. XVII p. 60 e seg.; e para as negociações com o mesmo Parlamento, do Embaixador conde de Penaguião, ibid. pp. 73 a 84; ou o nosso Catal. dos Mss. Portuguezes no Museu Britannico, de p. 171 a 175.
  13. Rebello da Silva, Corp. Dipl. Port. T. I, carta de 18 de março de 1514, pag. 235.
  14. Sr. Mendes Leal, Quad. Elem. T. XIII p. 46 (sum. 81).
  15. Des Hommes, Part. 2 § 52 (Le grand Roy François).
  16. Fernão Lopes, Chron. de D. Affonso V, cap. 62, nos Inedit. de Hist. Port., Tom. I.
  17. Il Principe, cap. 19.
  18. Polyb, L. XXX § 10.
  19. «On sseial zlo bez nasslajdenia;

    ....................................

    I zlo nasskutchilo yemu»
    DEMON, TCH. 1 ST. 2.

    Tínhamos começado uma versão portugueza d'este poema, que consta de duas partes, e é dos mais estimados na Russia; versão que ficou interrompida por occasião da nossa sahida d'aquelle ímperio, tendo concluido sómente a primeira parte.

  20. Quad. Elem. das Rel. Pol. e Dipl. etc. T. V. pp. LXXXVI e segg., o 231 e seg.
  21. Quad. Elem. das Rel. Pol. e Dipl. T. VI pp. XVIII e segg., e 144 e segg.; sobretudo os §§ 1 a 6 e § 16 da Memoria a p. 231 e segg.
  22. Hanke, Appen. n.° 103.
  23. Anab. L. V c. 4.
  24. Recordamo-nos de certo diplomata de circumstancia, feito embaixador de salto, o qual aliás se tornára em tempo bastante conhecido na politica dos gabinetes. Não era dos exquisitos, é verdade; porém sujeito àquelle estado de delírio interno que o Dante explica na phrase: ºnon dormendo si sogna« De resto, durou pouco a sua missão.