Soneto (Alvoroço)

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Soneto (Alvoroço)
por Júlio César da Silva
Considerado como um dos 100 mais belos sonetos do Brasil, na obra de J. G. de Araújo Jorge


<poem>

Quando me chego a ti, por mais que faça
Por domar dentro em mim este alvoroço,
Sinto que sou, sem reino e embora moço,
O rei de Thule, e tu, a minha taça.
Dos teus lábios ninguém hoje devassa
O fundo senão eu; e, enquanto posso,
No mel que eles contêm os meus adoço...
Mas, por fim, tudo cansa e tudo passa.
Não poder, como o rei, no fim da vida,
Ante os meus cortesãos, jograis e sábios,
Lançar-te ao mar também, taça querida,
Para que ninguém mais sinta os ressábios
Dessa bebida por mim só bebida
Bela taça vermelha dos teus lábios!