Tatu

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Tatu
Composição de tradição popular coletada por João Simões Lopes Neto
Poema agrupado posteriormente e publicado em Cancioneiro Guasca .


Eu vim p'ra contar a história
Dum — tatu — que já morreu,
Passando muitos trabalhos
Por este mundo de Deus.

O tatu foi muito ativo
P'ra sua vida buscar;
Batia casco na estrada,
Mas nunca pôde ajuntar!

Ora pois, todos escutem
Do tatu a narração,
E se houver quem saiba mais,
Entre também na função.

Ande a roda,
o tatu é teu;
voltinha no meio,
o tatu é meu! —

O tatu foi homem pobre,
Que apenas teve de seu
Um balandrau muito velho
Que o defunto pai lhe deu!

O tatu é bicho manso,
Nunca mordeu a ninguém
Só deu uma dentadinha
Na perninha do meu bem.

O tatu é bicho manso
Não pode morder ninguém;
Inda que queira morder.
O tatu dentes não tem.

O tatu saiu do mato
Vestidinho, preparado;
Parecia um capitão.
De camisa de babado!...

O tatu saiu do mato
Procurando mantimento!...
Caiu numa cachorrada
Que o levou cortando vento!...

O tatu me foi à roça
Toda a roça me comeu...
Plante roça quem quiser,
Que o tatu quero ser eu!

O tatu é bicho chato,
Rasteiro, toca no chão;
Inda mais rasteiro fica
Quando vai roubar feijão.

O tatu de rabo mole
Faz guisado sem gordura;
Ele é feio mas gostoso,
O que lhe falta é compostura.

Depois de muito corrido
Nos pagos em que nasceu
O tatu alçou o poncho,
E p'r'outras bandas se moveu.