Tratado da Terra do Brasil/I/II

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A Capitania de Pernambuco está cinco léguas de Tamaracá, pelo o sul em altura de oito graus, da qual é capitão e governador Duarte Coelho de Albuquerque. Tem duas povoações, a principal se chama Olinda, a outra Guaraçu, que está quatro léguas pela terra dentro. Haverá nesta capitania mil vizinhos. Tem vinte e três engenhos de açúcar posto que destes três ou quatro não são ainda acabados.

Alguns moem com bois, a estes chamam trapiches, fazem menos açúcar que os outros: mas a maior parte dos engenhos do Brasil moem com água. Cada engenho destes um por outro, faz três mil4 arrobas cada ano, nesta capitania se fazem mais açúcares que nas outras, por que houve ano que passaram de cinquenta mil arrobas, ainda que o rendimento deles não é certo, são segundo as novidades e os tempos que se oferecem. Esta se acha uma das ricas terras do Brasil, tem muitos escravos índios que é a principal fazenda da terra. Daqui os levam e compram para todas as outras capitanias, por que há nesta muitos, e mais baratos que em toda a costa: há muito pau do Brasil e algodão de que enriquecem os moradores desta capitania. o porto onde os navios entram5 está uma légua da povoação Olinda; servem-se pela praia e também por um rio pequeno que vai dar junto da mesma povoação. A esta capitania vão cada ano mais navios do reino que a nenhuma das outras. Há nela um mosteiro de padres da Companhia de Jesus.

Rios[editar]

Há dous rios caudais até a Bahia de Todos os Santos; um se chama São Francisco, está em dez graus e meio, o qual entra no mar com tanta fúria que vinte léguas pelo mesmo mar correm suas águas. Outro rio está em onze graus e dois terços que se chama o rio Real, também é muito grande e correm suas águas pelo mar.