Vós Nymphas da Gangetica espessura

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Soneto do mesmo autor ao senhor Dom Lionis, acerca da victoria que houve conta el-rei do Achem e Malaca [1]
por Luís Vaz de Camões
Apesar de dedicado a D. Leonis Pereira, Camões escreve em homenagem a Pero de Magalhães Gândavo. Trata-se de um dos únicos quatro poemas publicados durante a vida de Camões. [2] Poema publicado em História da Província de Santa Cruz, como material prefacial. Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II) [3] .

Vós, Nymphas da Gangetica espessura,
Cantae suavemente, em voz sonora,
Hum grande Capitão que a roxa Aurora
Dos filhos defendeo da noite escura.

Ajuntou-se a caterva negra e dura,
Que na Aurea Chersoneso affouta mora,
Para lançar do charo ninho fóra
Aquelles que mais podem que a ventura.

Mas hum forte leão, com pouca gente,
A multidão tão fera como necia,
Destruindo castiga e torna fraca.

Ó Nymphas, cantai, pois; que claramente
Mais do que Leonidas fez em Grecia,
O nobre Leoniz fez em Malaca.

  1. Título atribuído por Pero de Magalhães Gândavo em sua História da Província de Santa Cruz.
  2. RODRIGUES, Marina Machado. Crítica autoral e crítica textual na lírica de Camões. Revista Philologus, Rio de Janeiro, v. 6, n. 17, 1999. Disponível em: <http://www.filologia.org.br/revista/artigo/6(17)37-46.html>. Acesso em: 6 jan. 2014.
  3. No sumário das Obras completas de Luis de Camões, José Victorino Barreto Feio e José Gomes Monteiro inserem a seguinte observação para este poema: A D. Leoniz Pereira, defendendo valerosamente a praça de Malaca de que era Capitão, contra o formidavel poder do Achem, em 1568 (p. 418 do Tomo II).