A Alma do Lázaro/II/XVIII

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A Alma do Lázaro por José de Alencar
Segunda Parte: O Diário, 10 de abril de 1752


Ainda não tornei do abalo!

Não quisestes ouvir a minha prece! Como a Vossa cólera é implacável, Senhor, que um só instante não se retira deste punhado de limo!

Era-me consolo em meio das tribulações, aquela inocente devoção de adorar de longe entre as sombras da noite, o formoso vulto de Úrsula; e tanto Vos supliquei arredásseis de mim os olhos dela, para não perceber-me no suave enlevo de a contemplar.

E esse consolo me negastes!

Ela reparou na minha insistência, e desde aí não voltou ao terrado, nem lhe vi mais que a sombra, quando canta da janela a sua Ave-Maria.