A alma do outro mundo/III

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A alma do outro mundo por Guimarães Júnior
Capítulo III



Rosinha entrou, às oito horas da noite, no salão festivo, pela mão de sua madrinha, agitou-se entre damas e cavalheiros um murmúrio de admiração.

A filha de José Paz estava bela como o amor e irradiante como a estrela da manhã. Já não trazia sobre o corpo o vestido com que viera do Jordão mas um fino, um transparente tule, através do qual os nítidos contornos debuxavam-se com uma riqueza oriental. Seus longos cabelos negros, enroscados pela artística mão de um cabeleireiro francês, emolduravam-lhe, mais brilhantes que um diadema, a expressiva e sentimental cabeça.

De seus olhos, surpresos pela luz e pela harmonia vibrante da orquestra, escapavam-se doridos e tênues lampejos.

O vestido roçava dois palmos o tapete do salão; e em seu colo abundante, largo e nu, um fio de pérolas ofegava ao movimento precipite da respiração opressa.

A ricaça apresentou a afilhada a todos os seus convidados.

Cada qual admirava com maior entusiasmo os preciosos dotes da recém-chegada, cabendo às mulheres a parte da inveja na colheita geral de aplausos.

Rosinha nem estava triste, nem satisfeita. Faziam-lhe mal aquelas arandelas fulminantes, a cujo reflexo era o seu perfil representado na limpidez de 20 espelhos enormes. Por vezes cuidava escorregar na pérfida lanugem do tapete espesso.

Quando a orquestra atacou com brio e delirantes adejos uma valsa de Schuloff, então muito em moda nos primeiros salões de Pernambuco, a alma da criatura, habituada a ouvir apenas o sussurro dos rios e a cantiga magoada dos pássaros, sobressaltou-se e deixou-se voar na correnteza daquelas novas harmonias, como uma pétala solta é arrebatada na torrente impetuosa da chuva.

O que era aquilo, santo lenho de Cristo? Aquilo que a enleava, que a perturbava, que a consumia, e ao mesmo tempo fazia derramar ondas de perfume e de ignotos desejos no seu coração extático?

A valsa reboava, tremenda e voluptuosa confundindo os pares e dobrando a cabeça das elegantes sobre o ombro trêmulo dos cavalheiros.

Rosinha seguia todo aquele panorama vertiginoso com essa espécie de terror e de alegria que se experimenta quando se engole um bocado de haxixe. O leque fechado estremecia no seu regaço, torcido pelos dedos febris e impacientes. Com a pele úmida, a boca entreaberta, o seio convulso, ela acompanhava os compassos delirantes da valsa, agitando sob a fímbria da cambraia o pé sufocado nas dobras do cetim branco.

Terminada a valsa, a milionária acenou-lhe que se aproximasse. A filha de José Paz caminhou até o divã em que estava a madrinha, aterrorizada e pálida, como se houvesse cometido um crime.

— Que tens tu?

— Por que, minha madrinha?

— Vejo-te branca que me pareces uma defunta!

— É verdade — acudiu uma senhora presente; — talvez o calor da sala lhe faça mal!

— Não, não tenho nada respondeu a menina.

E por acaso viu-se retratada no primeiro espelho, sombria e lívida de causar espanto a si própria.

— Vamos lá dentro. Vem, Rosinha!

A menina aceitou o braço da ricaça, e punha o pé no rendado capacho do corredor que ia ter à sala do refeitório quando a orquestra deu o sinal de uma quadrilha francesa.

— Por que tremes Rosinha? Tens alguma coisa por força!

— Tenho medo da música, minha madrinha — volveu ela, abrindo a boca em um sorriso melancólico.

— Queres dançar esta quadrilha?

— Não.

— Ora!

— Nem sei o que sinto, parece mesmo que não estou boa!

— É o terror pela admiração que causas hoje aqui, faceira!

Rosinha abriu o leque e volveu os olhos para a sala. Os pares da quadrilha tomavam posição com a disciplina imprescindível que a elegância impõe aos seus adeptos. Havia falta de uma contrafigura.

Rosinha, silenciosa, deixava o leque pairar sobre o seu seio alvo, como a asa da borboleta que refresca o cálice de uma rosa.

Um cavalheiro aproximou-se às duas senhoras. Era um rapaz de 25 a 26 anos, de olhar penetrante e semblante enérgico. Dirigiu-se à milionária, beijando-lhe antes de tudo a mão enluvada, com um aprumo digno de figurar na galeria da regência francesa.

— Serei tão feliz que minha tia me aceite para par desta quadrilha? O Couto está furioso; não tem vis-à-vis. Olhe!

— Ah! só por isso que você me convida?

— Que idéia, minha tia! Desde o princípio da soirée só pensei em ser seu par em duas quadrilhas, uma polca e três valsas inglesas.

— Tá, tá, tá!... Pois agradeço-lhe muito a fineza senhor meu sobrinho!

— Não aceita!

— Propriamente não; mas resgato a minha recusa oferecendo-lhe coisa melhor.

Por um naturalíssimo movimento encontraram-se os olhos do moço e os olhos da filha de José Paz.

O cavalheiro saudou-a. Rosinha correspondeu ao cumprimento enleada e confusa.

— Meu sobrinho Adriano Carvalhal! Minha afilhada Rosinha!

Foi a apresentação feita com a mais gentil graça pela dona da casa.

A orquestra deu princípio à quadrilha. O Couto impacientava-se no meio de uns colarinhos altíssimos, Adriano arqueou cortesmente o braço, onde a mão da menina descansou timorata como o pé de um pássaro no poleiro de uma armadilha.

Rosinha pouco entendia dos hábitos excepcionais do mundo elegante, o grande mundo, assim chamado para distinguir-se do... pequeno, talvez. Ela freqüentara algum tempo as aulas de um bom e austero colégio de irmãs de caridade no Recife, bairro da Boa Vista, onde aprendera com extrema finura de espírito os simples rudimentos da educação feminina. José Paz tanto resmungou, tanto gesticulou, tantas revoluções proporcionou aos ouvidos e aos olhos da comadre, que a menina saiu do colégio, e foi esconder a sua formosura nas frescas paisagens do torrão natal. Ali a vê-la a madrinha; e daí vinha ela raras vezes ao Recife, acompanhada sempre pelas despedidas casmurras do pai.

— Agora veja lá, comadre, se a acostuma na lordeza um ano inteiro!

— Que quer dizer com isso, compadre?

— Quero dizer, com perdão de V. Mcê., que a pequena nasceu debaixo da palha, e que a vista da riqueza dos grandes pode tontear-lhe a cabeça!

— Ora, não diga asneiras.

Quando Rosinha estendeu a mão ao cavalheiro na primeira figura da contradança, sentiu um suor frio orvalhar-lhe a espádua ardente. Há que tempo não dançava ela!

Muitos meses antes, no Jordão, um tal Chico valente (perdoa-me, valente, se não te escrevo o apelido com letra maiúscula!) arranjara um baile em casa, para comemorar não sei que fausto aniversário, que terminou por um rasgadíssimo samba. Dançou-se quadrilha nessa ocasião. Quadrilha acompanhada a guitarra, a maracá, a violão e a clarineta! Uma clarineta que teve o estupendo poder de inventar uma porção de notas desconhecidas, na música, até hoje!

Mas a mulher sabe por instinto dançar, como a ave sabe voar, e o peixe cerzir a água com as ariscas barbatanas!

Quando o poder criador arrancou da entranha da terra o diamante, ordenou-lhe "Brilha!" À flor: "Perfuma!1' Formando o homem, disse-lhe: "Ama!" Criando a mulher, exclamou: "Dança!"

Rosinha deu por terminado o intróito da quadrilha, respirando sofregamente como alguém que escapou de afogar-se, e que volta à tona da água. No entanto dançava com a mesma ternura e mimo com que o cisne retalha a onda tranqüila, e um casal de andorinhas procura-se, espreita-se, persegue-se, e beija-se no éter transparente.

Um jornalista que estava a um canto da sala tomando notas traçou a seguinte, esmerando-se no corte da letra:

"Toalete branca de tule; pérolas ao pescoço e nos braços; olhos profundos como a noite, graça de Vênus na dança; movendo o talhe e derreando meigamente a eloqüente cabeça".

Salvo o estilo, o jornalista saiu-se perfeitamente no retrato da princesa do baile. É a frase habitual.

Adriano bebia os perfumes daquela basta e escura cabeleira, estremecendo e aspirando.

Era um rapaz de espírito; falava pelos cotovelos, e tinha uma maneira especial e atraente de interpelar as damas em geral. Ao pé de Rosinha, Adriano ficou mudo como as esfinges de faraó!

A filha de José Paz pedia aos santos de sua devoção que fizessem o milagre de encurtar-lhe o suplício da quadrilha. Toda vez que a música forçava-a a sujeitar-se às regras geométricas da dança, a menina cobria-se de uma fugitiva palidez, substituída imediatamente pelas chamas carmíneas do enleio virginal.

As senhoras que formavam o quadro da quadrilha devoravam-na com olhos de Juno encolerizada. Nem as via sequer a filha de José Paz!

Afinal Adriano Carvalhal, depois de uma tremenda luta com a consciência, que o acusava de imbecil, dirigiu a palavra ao seu formoso par:

— É a primeira vez que a vejo aqui — murmurou ele, como um colegial medroso.

— Em soirée — articulou Rosinha, apalpando uma por uma as palavras indecisas — é a primeira vez que eu venho à casa de minha madrinha. Estive aqui, há dez meses, pouco mais ou menos, no dia em que se casou d. Florinda; mas não se dançou nessa noite.

— Ah! No dia do casamento de minha tia? Eu também estava longe por esse tempo. Hoje é que lamento a minha involuntária ausência!

A filha de José Paz aventurou por sua conta e risco algumas perguntas vagas:

— O senhor foi o sobrinho de minha madrinha que fez uma viagem...?

— Ao Ceará? Justamente. Mas por mais que percorresse aquela formosa província, não me lembra de ter encontrado olhos iguais aos que me deslumbram hoje!

A filha de José Paz, sem compreender o sentido daquelas artificiosas palavras, olhou profundamente para Adriano.

O turista mordeu a ponta do bigode, e abaixou os olhos, confuso.

Estava acabada a quadrilha. Rosinha aceitou o braço do cavalheiro e ambos cruzaram por algum tempo o iluminado salão.

Deram de rosto com a milionária que discutia modas com uma professora das irmãs de caridade.

— Então? — exclamou a tia de Adriano, sorrindo à afilhada. — Como te sentes agora, má?

Adriano acudiu imediatamente:

Rosinha estremeceu, e respirando com uma doçura encantadora:

— Incomodada, não; mas não me sentia bem nesta sala. Parecia-me que a luz incendiava-me, e as flores me sufocavam!

— Oh! Mocidade! — interrompeu a milionária, batendo com o leque no ombro nu da afilhada. — Caprichos que passam!

— Realmente — volveu Adriano Carvalhal -, faz nesta sala um calor insuportável. Não será possível, minha tia, darmos um passeio pelo terraço?

— Tanto é possível, que quase todas as senhoras lá estão. Leve a Rosinha; leve-a. Vá, minha flor! Reparem no efeito das arandelas de cor sobre o jardim!

— A senhora é uma fada, minha tia!

— E tu és um lisonjeiro, meu sobrinho. Que queres? É o privilégio da velhice: encantar por intermédio de fantasmagorias, já que a realidade afasta do rosto o encanto verdadeiro!

— Queixa-se por ter hoje 20 minutos mais de idade?

— Bom, bom, deixemo-nos de denguices. Mal sabe você que o elegante par que lhe dei conta na presente hora... Oh! Acertei: são dez horas e meia, justamente a hora em que ela nasceu!

— Minha madrinha! — exclamou a menina, acesa em rubores.

Adriano Carvalhal embebeu a vista ansiosa nos olhos trêmulos de Rosinha. Estava formosa a filha de José Paz, formosa e suave, como um raio de lua no seio de uma rosa.

Foram ao terraço. O terraço dava sobre o sítio, em cujas árvores ondulavam aos afagos do vento noturno miríades de lampiões furta-cores. O céu, recamado de estrelas, estendia-se como um tapete ideal aos soberanos passos da lua serena e melancólica.

Várias senhoras e cavalheiros, de bruços no encosto de pedra, conversavam entre risos, adejos de leques e momos graciosos.

Adriano Carvalhal conduziu Rosinha a uma parte mais solada do terraço, e aí ficaram ambos por alguns momentos a contemplar as irradiações da noite.

Adriano sentia-se fascinado. O poder daquela ingênua formosura, meio selvagem e meio civilizada, saqueava-o por todos os lados.

Onde estava o dândi dos salões, o elegante dos passeios, o turista corajoso e insaciável! Chegara a sua vez de compreender o símbolo de Hércules fiando aos pés tentadores de Onfália.

A noite entornava entre ambos o seu tesouro de harmonias, de provocações, de delírios magos e insensatos. Ouvia-se perto do terraço suspirar a água do repuxo, e na escuridão das moitas os grilos chilreavam monótonos e tristes. Rosinha lembrou-se do Jordão, de seu pai, do seu quartinho alvo e pobre, de suas camaradas da margem do rio, e debruçando-se no paredão, embebeu os olhos aclarados pela lua no mistério que cercava os tranqüilos arvoredos.

— Que bela noite! — dizia Adriano com a voz lenta e inspirada. — Noite da poesia! Noite do amor! Noite da mocidade! Dir-se-ia que as almas dos que amaram em vida transformaram-se em raios de estrelas e raios de lua, para ensinarem aos que vivem o sagrado romance do amor!

Rosinha pendeu para o lado de Adriano Carvalhal o ouvido atencioso, e começou a embalar-se, como uma garça, nas vagas melodiosas das palavras dele. O moço prosseguiu:

— Não sei se todos sentem o que eu sinto nestas noites tranqüilas e luminosas. A noite é para mim um livro encantado, onde minha alma aprende a ler os mistérios do mundo desconhecido. Que voz humana reproduz os sons magoados do vento nas ramas espalmadas do arvoredo? E o murmúrio da água? Não se assemelha ao rumor indizível de palavras celestes, que nos convidam a amar e crer na ventura, embora fugitiva, da existência?

Os olhos de Rosinha banharam-se em clarões ideais; todo o seu ser tremia subjugado por um peso doloroso e doce ao mesmo tempo. A lua derramava ondas de leite e de luz no regaço da noite amorosa.

Ressoou no salão da festa o clamor apaixonado de uma valsa.

Rosinha ergueu a fronte, como se fora livre de um pesadelo cruel! Estava pálida, e de sua pupila negra jorravam deslumbrantes raios.

— Não valsa? — perguntou ela a Adriano.

— Impacienta-a a minha companhia?

— Oh! Não! Não é por isso!

— Gosta da valsa?

— Eu? Muito; mas não sei valsar.

— Impossível!

— Pergunte a minha madrinha. Se o senhor soubesse o que eu senti, assim que ouvi tocar aquela música, ainda agora!

— Diga-me!

— Nem eu sei explicar a mim mesma! Parece que criei outra vida, e que ao mesmo tempo a morte agarrou em minhas mãos. Veja.

Adriano Carvalhal escondeu entre as suas a mãozinha da menina, palpitante e fria como o gelo.

— Que bonita noite! — acrescentou ela afastando as mãos e voltando-se para o céu.

— Noite para o amor

— Noite para a saudade!

— Tem saudades?

— Que quer que lhe responda, Deus de misericórdia, se eu mesma pergunto ao meu coração o que isto é!

E ocultou o rosto na seda entreaberta do leque.

A milionária entrou no terraço nesse momento

Rosinha mudou bruscamente de posição, sentindo no ombro a mão de sua madrinha.

— Que tens, Rosinha?

— Dores de cabeça minha madrinha, Más isto passa!

E estremeceu, recebendo o choque elétrico da vista de Adriano Carvalhal.

— Venham para a sala. Não tarda a ser servido o chá.

Adriano disse a Rosinha perto da sala:

— Volta amanhã para o Jordão?

— Volto.

— De manhã ou à tarde?

A dona da casa acudiu a estas últimas palavras:

— Que é lá isso, minha rica? Amanhã passamos juntas o dia em Caxangá!

Adriano teve um lampejo de alegria.

— E papai, minha madrinha?

— Pois eu não o preveni? Só no trem das oito horas, depois de amanhã, é que partes. Irei contigo.

Durante o resto da noite, Rosinha não dançou mais uma quadrilha. Adriano Carvalhal imitou-a, apesar dos rogos e das maliciosas ameaças da tia.

No dia seguinte, em Caxangá, correu tudo às mil maravilhas. Rosinha, porém conservou-se triste, sem saber por quê, triste como se o luto houvesse invadido os límpidos domínios de sua alma.

A madrinha indagou curiosa da causa daquela tristeza.

A menina sorriu melancolicamente, e respondeu ao acaso:

— Lembranças do Jordão! A noite, igual à da véspera, desceu cheia de aromas, de estrelas e de encantadores mistérios.

Adriano Carvalhal perguntou-lhe se estava arrependida de ter vindo ao Recife.

— Estou.

O moço contemplou-a surpreendido.

— A sua história de ontem me fez mal. A história das almas que voltam para ensinarem a gente a amar e a crer na felicidade!

Quando Rosinha chegou ao Jordão, José Paz já ardia de impaciência. Recebeu a comadre e a filha com ar carrancudo e porte brutal.

— Aqui lha trago. Fez figurão!

— Faço idéia!

— Dançamos toda a noite!

— Pois tu também dançaste?!

— Uma quadrilha só, meu pai, para fazer a vontade a minha madrinha,

A fronte de José Paz desenrugou-se um pouco, e das narinas empoladas saiu-lhe a respiração ofegante e larga.

A tarde a milionária despediu-se da afilhada e do compadre:

— Adeus, Rosinha. Adeus, compadre!

— Até, comadre, até!

— Até breve, se Deus quiser!

— Com a ajuda de Maria Santíssima!

Quando o comboio partiu era ave-maria. O céu argenteava-se aos primeiros clarões da lua.

Rosinha estava pensativa e muda, José Paz olhou-a entre as duas pupilas, e:

— Tiveste uma saudadezinha do teu velho, lá naquelas festanças da cidade, minha filha?

Rosinha abriu-lhe os braços, e atirou-se-lhe ao peito chorando convulsivamente.

José Paz, admirado, levantou a cabeça da filha e quis certificar-se de que realmente eram lágrimas que lhe banhavam o rosto.

— Mas tu nunca choraste assim, menina! Que diabo de feitiço é este?!

Os soluços e as lágrimas redobraram de intensidade. José Paz carregou o sobrolho e dirigindo os olhos para as bandas do Recife:

— Ah! Senhora comadre! — disse ele consigo. — Parece-me que você já está me começando a perder a pequena!