Aquella triste e leda madrugada
| (Aquella triste e leda madrugada) por |
| Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)
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Aquella triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Em quanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.
Ella só, quando amena e marchetada
Sahia, dando á terra claridade,
Vio apartar-se de huma outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada
Ella só vio as lagrimas em fio,
Que de huns e de outros olhos derivadas,
Juntando-se, formárão largo rio
Ella ouvio as palavras magoadas,
Que puderão tornar o fogo frio,
E dar descanço ás almas condemnadas.