As Minas de Prata/I/XX

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As Minas de Prata por José de Alencar
Por que o irmão Bernardo não acabou o sono da madrugada


Enquanto o P. Figueira, seguido pelo seu penitente acólito, vai lesto galgando a estreita vereda que serpeja pelo vale na direção dos beneditinos, o compilador destas velhas memórias irá em busca de Cristóvão, que ficou em ação de contar a Elvira as festas do Terreiro do Colégio.

O vulto que a desoras aparecera no pátio da casa de D. Luísa de Paiva e se adiantara manso e manso, era o caseiro e homem de confiança da rica viúva; melhor diríamos mordomo, se este cargo não fora privativo das casas de primeira nobreza.

Quando Elvira, reconhecendo Cristóvão embaixo de sua janela, soltou a imprudente exclamação do júbilo que lhe causava a presença de seu amante, o caseiro não dormia. Privado da festa pelas práticas severas da viúva, que impunha o seu beatismo aos próprios fâmulos, Manuel Batista consolava-se com alguns restos da adega do falecido mercador, e preparava-se por meio de uma ceia fria e suculenta para o jejum da sexta-feira.

Ouvindo o estranho grito, o caseiro passou a cabeça pelo postigo; viu um vulto galgar a janela de Elvira, e desaparecer no interior. O doce murmúrio de vozes abafadas, que lhe trouxe a brisa daquele lado, fez-lhe compreender o que passava, e colocou-o em sério embaraço.

Se o desconhecido fosse um malfeitor, o negócio era simples. Batista tinha no canto armas de boa têmpera, e sempre pronto um braço robusto e ágil. Mas era outro o caso; a menina levaria decerto a mal qualquer ato de violência contra seu namorado; e o prudente caseiro não se julgava habilitado a obrar, sem ordem expressa da dona.

Firme nessa resolução, fechou o postigo, fez desaparecer os vestígios da ceia, foi direito à câmara da aia, a quem mandou acordar a viúva. Esta pressentindo um acontecimento extraordinário, se ergueu e compôs logo.

— Que há, Batista?

O caseiro contou quanto sabia.

— Julgais que ele ainda ali esteja? perguntou a dama depois de ouvi-lo friamente.

— A não ter saído enquanto vim prevenir-vos.

— Pois ide e guardai a janela. Dizeis que não é um ladrão; é um ladrão, vos afirmo eu, ladrão de minha honra e sossego! Tratai-o como tal!

Batista voltou; D. Luísa tomando uma adaga na antiga armadura de seu marido, erguida ao lado da sala, dirigiu-se, ela só, para o quarto de sua filha.

Elvira e Cristóvão sentados no estrado repetiam ainda uma vez as juras e doces protestos de eterno amor, quando a menina viu pelo espelho do trumó o lado oposto da tapeçaria que afastavam, e o vulto de sua mãe que surgia lívido e ameaçador, brandindo na mão convulsa o punhal meio oculto pelas dobras da roupagem.

Ela via, pasma de grande terror, o vulto crescer e caminhar com passo hirto, abafado pelo tapete; Cristóvão sem aperceber-se da mudança de seu semblante murmurava as ternas falas que ela já não escutava. Mas quando o punhal, vibrado pela mão nervosa, cintilou aos reflexos da luz, rápida como o pensamento, Elvira soltou um grito convulso, e envolvendo o corpo de seu amante, furtou-o ao golpe mortal. A ponta do ferro ainda rasgou a cambraia da anágua, esfrolando a cútis cetim da mimosa espádua.

Houve grande silêncio; as três personagens desta cena formavam um belo grupo.

Cristóvão, que se erguera surpreso, estava imóvel, de cabeça baixa; em face D. Luísa, muda e sombria, com o colo distendido, parecia espreitar a presa; Elvira, de cabelos desgrenhados, lábio trêmulo, roupas espedaçadas e rubras de sangue, era sublime na ferocidade do seu amor. Debruçada toda sobre o cavalheiro, que ela defendia com o corpo, voltando o rosto sobre a espádua para fitar sua mãe, com uma das mãos estreitava o amante ao seio, e com a outra tocava o cabo do punhal na cinta de Cristóvão.

E assim, mãe e filha afrontavam-se, uma nos seus instintos de cruel vingança, a outra no heroísmo de sua veemente paixão. Mas era sobre-humano o esforço: não podia durar. D. Luísa deixou cair o punhal da mão; Elvira desmaiou nos braços de Cristóvão.

O moço pousou sobre o estrado o corpo inanimado de sua amante e foi ajoelhar aos pés da dama.

— Fugide à minha vista! gritou D. Luísa sufocada pela cólera.

— Grande foi meu crime, senhora; seja grande vosso castigo. Se me julgais indigno do amor de Elvira e de vosso perdão, pereça eu pela mão que ultrajei, mas quisera beijar como filho.

Cristóvão proferiu estas palavras apresentando o punhal que erguera dos pés da dama. D. Luísa hesitou um instante; afinal mostrando a janela com um gesto enérgico, exclamou de novo:

— Saíde! Não insulteis esta casa com a vossa presença! Saíde!

O moço conheceu que não havia lutar contra tão violenta cólera; dirigindo-se à janela, saltou no pátio.

A mãe de Elvira correu imediatamente para espreitar o que passava fora; viu cinco vultos botarem-se ao cavalheiro apenas ele tocou o chão. Soou logo o estrupido dos pés que batiam como se a luta andasse travada entre adversários; após o tinir de armas que esgrimiam.

Elvira saiu do desmaio, como por estranha impulsão. Ergueu a cabeça e inclinou o ouvido para receber os ligeiros rumores que vinham de fora. Quando distinguiu a natureza do som áspero e metálico, que lhe erriçara os cabelos, surgiu de um salto, ofegante e esvairada.

Sua mãe, vendo-a precipitar-se para a porta entreaberta, apenas teve tempo de gritar-lhe:

— Elvira, onde ides?

— Morrer com ele!... exclamou a menina sumindo-se pelo corredor.

Instantes depois uma branca sombra atravessou veloz pelas trevas da noite, passou entre as espadas nuas, e foi cair nos braços de Cristóvão. O moço reconheceu a sua Elvira querida, e julgou-se feliz de poder apertá-la ao seio ainda uma vez antes de morrer.

As armas abaixaram-se diante da donzela, que se voltara para os agressores dizendo-lhes:

— Matai-me primeiro a mim!

Batista que capitaneava os acostados, não sabia como desatar este nó, quando para desencargo seu, D. Luísa apareceu no pátio.

— Fugi! Eu vo-lo suplico! disse rapidamente Elvira ao ouvido de Cristóvão.

E como ele hesitasse:

— Salvai-vos por mim, e para mim!

— E vós, Elvira?

— Não temais. É bárbara, mas é mãe.

Súbito, uma voz possante cortou o silêncio do ermo, e elevou-se cheia e sonora, modulando ao longe uma chacota popular da época:


Santo Antônio de Argoim
Sentou praça de soldado;
Tem capa de cramesim,
Ganha de soldo um cruzado,
Santo Antônio de Argoim.


Cristóvão escutava com alegre sobressalto esse descante a horas mortas, quando depois de breve pausa a voz atacou a segunda copla:

Cachopa de Matoim,
Dá-me praça em teu cuidado
Por capa a fralda cetim,
De soldo um riso lavado,
Cachopa de Matoim.


O leitor curioso de conhecer a crônica de Santo Antônio de Argoim, a quem deu El-Rei em prêmio de seus bons serviços praça de soldado raso na Fortaleza da Barra e o soldo correspondente, pode ler as memórias do tempo; basta-lhe saber para melhor inteligência desta história, que Santo Antônio de Argoim era então o santo mais milagroso da Bahia, como tal celebrado nas cantigas do popular; e bem assim que as cachopinhas da ribeira de Matoim traziam de canto chorado os seus adoradores.

Cristóvão tinha, antes que terminasse a segunda copla, levado as mãos à boca; e soltara pela expulsão do ar comprimido um desses assobios longos e agudíssimos, como se ouvem nas assuadas da plebe. Havia porém uma modulação especial no aviso do cavalheiro; depois do sibilo vivo e prolongado que subiu ao último tom da gama, sentiu-se como um tremulho de aspiração, e por fim o pizicato de três notas soltas e destacadas.

Era visivelmente um sinal que mandava Cristóvão a alguém através da distância que os separava; mal expirou o eco entre os murmúrios da noite, um assobio inteiramente semelhante respondeu longe; daí a um instante, mais perto e rápido, talvez pedindo a direção do sítio donde partira o aviso.

— Tranquilizai-vos, Elvira minha. Estou salvo! disse o moço depois de ter dado a réplica ao misterioso diálogo.

Era tempo, porque D. Luísa chegando travara do braço da filha e procurava arredá-la do lugar da luta. Elvira quis resistir ainda; mas um gesto cheio de confiança de seu amante e um novo sinal muito próximo que anunciava o pronto socorro, a persuadiram. Seguiu lentamente a mãe até o meio do pátio; aí foi necessário que a aia a tomasse ao colo para fazê-la entrar à força.

Retirando-se, a viúva voltou-se para Batista, e atirou-lhe estas palavras em tom breve e ríspido:

— Aí o tendes!

O caseiro, visivelmente preocupado com o singular diálogo de Cristóvão, sondava as trevas em torno, julgando ver surgir a cada momento dentre a ramagem alguma quadrilha de alguazis ou gente armada. Obedecendo porém ao pensamento, mais que às palavras da dona, fez um sinal aos acostados, e avançaram em linha contra o cavalheiro já preparado para recebê-los.

O combate continuou.

Cristóvão já ferido defendia-se com a espada na mão direita, e na esquerda um forte bastão que improvisara de um galho seco. Mas o que o salvava ainda, era a ligeireza do salto, que não permitia aos agressores cercá-lo e feri-lo pelas costas.

Contudo a posição do cavalheiro empiorava a cada instante. Recuando aproximara-se do largo e fundo valado que cercava o pátio da casa; a estreiteza do espaço já não lhe permitia as livres e rápidas evoluções com que resistira à grande superioridade do inimigo.

Nisto assomou da outra banda uma figura de homem seca e pernalta, que avançava com passo tardo e desgarrado.

Nesse andar preguiçoso vencia o sujeito mais distância que o melhor caminheiro a todo o estirão; mas também quando ele abria o largo compasso das pernas, e assentava a chanca espalmada num soco de couro cru, parecia que se escarranchava no chão para surdir de novo e de novo mergulhar na passada desmedida. A estatura descia então mais de palmo; os braços abanados e já longos de si rastejavam quase; e o enorme tamanco deixava no chão um surco profundo.

Era uma ridícula figura!

Trazia, atirado para as costas e preso ao pescoço por um rosário de coco, um grande chanfalho de folha larga e fornida, semelhante aos que ainda hoje usam alguns sertanejos, e servem ao mesmo tempo de faca, de espada, de cavador e foice a quem anda habitualmente pelos matos virgens. Um comprido varapau com pontas de ferro, atravessado por baixo dos braços ao través do lombo, completava o equipamento guerreiro do grotesco personagem.

Chegando à beira do valado aprumou o talhe e mostrou um instante a descomunal elevação da estatura; mas logo, vergando como um arco sobre o fosso, o olhar felino perscrutou as sombras e viu o que passava do lado oposto.

Cristóvão também o vira e reconhecera, pois o chamou pelo nome:

— João Fogaça!...

— Tente com eles, Cristovinho: três botes ainda, enquanto engambito este valo de mil demônios!

— Avia, amigo, se não tarde chegarás! respondeu o cavalheiro.

— Seria a primeira vez que tal me acontecesse, rapaz! Ai, neste jeito, não me deixas nenhum dos malandros, para que eu tenha o gosto de tosar-lhe a pele.

Cristóvão com efeito acabava de prostrar um dos adversários; mas ainda restavam quatro contra ele ferido e debilitado com a perda de sangue; quatro assassinos excitados pela resistência heroica, pela ambição do salário, e o receio do novo e fresco inimigo que se aproximava.

— Espera, corja de biltres; eu já te dou a amostra do pano. Vais ver de que massa é feito João Fogaça, o capitão de mato.

E fincando os pés na borda, colheu as curvas elásticas, para saltar de um pulo temerário toda a largura do fosso: mas um obstáculo imprevisto sobreveio.

Duas mãos robustas pesaram-lhe sobre os ombros, quando ele já desenvolvia o salto:

— Alto lá, camarada! proferiu voz estranha.

O capitão de mato, sentindo falhar-lhe o primeiro impulso pela brusca intervenção, teve apenas o tempo de saltar para trás, e pôr-se em defesa contra a agressão inesperada. Achou-se então cercado por seis homens que chegavam sobre seus passos.

Um deles, que parecia ter sobre os outros certa proeminência de chefe, fora quem retivera o capitão de mato no momento em que este ia saltar o fosso.

— Peai-me já este sendeiro manhoso, vós outros, disse ele para os companheiros.

E adiantou-se para o valo:

— Que é isso lá? gritou para a outra banda.

— É um homem que assassinam covardemente! disse Cristóvão.

— Olé, Anselmo! exclamou Batista. Foi Deus que vos trouxe por essas bandas para dar-nos uma demão cá neste negócio.

— O negócio é vosso, mano; o meu ainda não sei qual seja, respondeu Anselmo.

— Também já está a concluir, acudiu o caseiro; basta que tenhais filado, um credo só, esse encazinado capitão de mato!...

— Há de se ver isso!...

O Anselmo voltou-se para conhecer a causa do rumor que ia entre os seus e João Fogaça; sentindo as costas guardadas, continuou a conversa:

— Antes de correr o dado olha-se a parada, amigo Batista. Ainda não sei como fala esse cavalheiro, que vende a vida mais caro do que desejais. Vede!... quase estroncou-vos o braço!... Se ele tem a bolsa tão pesada, quanto o bote que vos atirou, estou apostando que não lhe levareis a melhor.

— São vossas dez moedas! exclamou Cristóvão animado de súbita esperança.

— As falas são boas, retrucou Anselmo. O que falta saber é se as obras correspondem.

O salteador armou o arcabuz:

— Eh lá, amigo Batista! Arredo, se não quereis que vos faça um fricassé dos miolos. Paz, enquanto me entendo cá com o fidalgo.

— Mas, Anselmo, esta é uma ação má que praticais, e de que vos heis de arrepender cedo ou tarde!

— Tendes mais de dez moedas para picar o páreo?

— Quando as tivesse, não seríeis vós que lhe havíeis de pôr o gadanho, burlão!

— Pois não me obrigueis a fazer em vez de má, uma boa ação, mandando-vos direitinho para as caldeiras do compadre Botelho. Arredo, vos digo eu!

Batista, diante da boca do arcabuz voltada para ele, cedeu bem contra a vontade, e recuou com os seus companheiros a uma pequena distância.

— Mais! Mais!... Sois madraço, mano, mas não me embaçais! Bom! Agora, meu fidalgo, contai as dez moedas, atirai cá a bolsa, e dou-vos carta de seguro até a porta. Até se quereis, podemos preparar para vosso divertimento um sarapatel desses quatro borregos que aí estão tanto há para matar um homem. Quanto ao Maneco, eu lhe apararei as orelhas para doutra feita ouvir melhor!

Cristóvão desgraçadamente não tinha bolsa consigo; a que ele trouxera, vinha cheia das prendas que dera a Elvira. Pressentindo porém que o desconhecido não lhe prestaria o prometido auxílio sem palpar as moedas, o cavalheiro assentou de ganhar tempo, fingindo procurar um objeto que ele sabia ausente.

— Muito custam a desatar os cordões de vossa bolsa, meu fidalgo, disse Anselmo já desconfiado da demora. Tão leve a trazeis, que não sentis onde vos pesa.

O moço tinha ao menos conseguido descansar algum tempo; fingiu pois que de novo procurava, e aproximando-se do fosso, respondeu a meia voz:

— Sem dúvida caiu-me a bolsa na luta; mas com isso nada perdeis. Hoje mesmo vos contarei não dez, senão vinte moedas. Palavra de cavalheiro!

— Ai! meu fidalgote de sólia! Cuidei que tínheis outro metal de voz! O vosso não tine, nem mesmo a prata velha!

— Chega-te mais perto que eu te farei tinir no costado outro metal de melhor cunho! retrucou o moço sentindo revoltarem-se os brios.

— Estais assim com essa pressa de esticar a canela? Pois faça-se a vossa vontade. Vou tirar-vos esse gosto, manos!

E de feito apontava o arcabuz para Cristóvão.

Enquanto isto passava à beira do fosso, outro incidente tivera lugar ali perto.

Os cinco desconhecidos obedecendo à ordem do chefe, tinham corrido sus a João Fogaça para segurá-lo; mas o capitão de mato sempre impassível inteiriçou a perna esquerda, e levantando a direita horizontalmente, girou sobre si mesmo com velocidade incrível. Por onde passou o dúplice corrupio do varapau e do enorme tamanco ferrado, se encontrou braço, estroncou, se bateu em cabeça rachou.

— Ainda faltam seis para a minha conta! disse o capitão de mato contando os adversários colocados em respeitosa distância e bem maltratados do primeiro ataque.

João Fogaça ruminava nos meios de socorrer Cristóvão, quando as coisas tomaram melhor aspecto com o oferecimento das dez moedas. Sempre alerta acompanhou os incidentes da cena: se os seus adversários faziam o menor movimento para atacá-lo, o compasso da perna abria-se como para mostrar o raio de círculo que não podiam transpor; e tanto bastava para que eles recuassem logo.

Mal Cristóvão declarou ter perdido a bolsa, o capitão de mato pressentindo o desfecho, tomou a sua posição de ataque; mas dessa vez o corrupio avançando rechaçou os cinco bandidos para os lados, e aproximou-se do fosso no momento em que Anselmo levava o arcabuz à face.

De um revés do pé, o capitão de mato atirou com o salteador no fundo do valado. Já os outros porém estavam com ele, e o impediam pela necessidade da defesa, de tentar o salto difícil senão impossível do largo fosso.

Cristóvão estava prestes a sucumbir sob as espadas que o ameaçavam de novo, depois da curta trégua. Cansado da heroica defesa, perdida já toda a esperança, atirara-se com raiva e desespero sobre os agressores. Mais um caiu sob o fio de sua espada; porém restavam três, e por cúmulo de infelicidade acabava de receber na curva um golpe, que o forçara a ajoelhar. Nessa situação extrema, o que o sustinha ainda, não era já o instinto da conservação, mas sede de vingança somente. Queria antes de morrer matar mais um, todos se pudesse, de seus vis assassinos.

Que fazia entretanto Elvira?

Morria e revivia para tornar a morrer de mil mortes, que lhe dava a cruel angústia. Com o ouvido à escuta, absorvida toda em sua aflição, ajoelhada aos pés do crucifixo, queria orar e não podia. A alma ia-se de Deus ao triste amante.