Castelo Perigoso/IX

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Castelo Perigoso
Capítulo IX – Da preguiça e de como pecam os religiosos em muitos modos acerca deste pecado


Por preguiça pecam os religiosos cada vez que adormecem no mosteiro ou são moles ao serviço de Deus, ou quando lhe anoja o longo serviço, ou quando perdem algumas horas ou quando vêm tarde por dormir ou por sua própria vontade; especialmente quando por preguiça deixam a seu ciente de dizer suas horas canônicas ou de Santa Maria, eles pecam mortalmente.

E saibam que, se por as coisas que são de graça ou de vontade, deixam ou tardam de dizer suas horas, a que são teúdos, ou deixam a igreja à direita hora, ou se homem diz suas horas escondidamente por dizer algumas orações especiais , ou quando homem é na igreja, que deve cantar e ajudar os outros, e o deixa de fazer por outras orações, em todos estes casos pecam os homens religiosos gravemente, que São Bernardo diz: "Deus não faz conta nem lhe praz de coisa que seja oferecida de vontade, até que lhe seja pagada a direita dívida". Em isto são enganados aqueles que são diligentes a fazer o que não são teúdos e são negligentes e preguiçosos a fazer o que são obrigados.

E por isto disse Salomão: "Aí há um caminho que aos homens parece bem direito, mas, no fim[1], leva-os ao inferno". Ca, muitas aí há de gentes, de que é de haver dó, que cuidam estar em caminho de saúde, e são aviados a perdição. E estes são aqueles e aquelas que fazem seus caminhos sem discrição e que não querem crer conselho. Mas quando homem tem pagado o que deve, então pode fazer e dizer o que quiser e puder de bem, especialmente a Madre de Deus saudar amiúde, e servir e amar, que quem bem a amar e servir não morrerá má morte.

Notas[editar]

  1. "Na fim", no original.