Castelo Perigoso/XXI

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Castelo Perigoso
Capítulo XXI – Do segundo sinal da virgindade, e de como sem vergonha nenhuma coisa pode ser honesta


O segundo sinal da virgindade é vergonha em rosto, de que são Bernardo diz:: "Oo! Como é formosa e esplandecente e preciosa pedra vergonha em face de nova pessoa! Esta é glória especial de consciência e guarda de boa nomeada, certo sinal de virtudes e louvor de natureza, certo sinal de todas honestidades. Não sei se mais graciosa coisa pode ser achada na conversação dos homens e mulheres".

E Túlio, o sages[1], disse: "Sem vergonha nenhuma coisa pode ser direita nem honesta". Ora, pois, seja a alma e esposa de Jesus Cristo seguidor do exemplo da sua bendita Madre, temerosa e vergonhosa, que à saudação do anjo com pensamento foi torvada. O alto da torvação lhe veio de vergonha virginal. O pensamento nasceu de prudência e discrição.

E assim um sem outro vale pouco. Vergonha sem prudência é bestial; prudência sem vergonha é presunçosa. Por isto a amiga de Deus deve ser vergonhosa sagesmente e sages vergonhosamente.

Notas[editar]

  1. Túlio é Marco Túlio Cícero, orador latino. O adjetivo sage, "sábio", parece alternar-se, no singular e na forma adverbial (sagemente), com uma forma sages(mente).