Correm turbas as águas deste rio

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
(Correm turbas as águas deste rio)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Correm turbas as águas deste rio,
Que as rapidas enchentes enturbárão;
Os florecidos campos se seccárão;
Intratavel se fez o valle e frio.

Passou, como o verão, o ardente estio;
Humas cousas por outras se trocárão:
Os fementidos fados ja deixárão
Do mundo o regimento, ou desvario.

Ja o tempo a ordem sua tẽe sabida;
O mundo não; mas anda tão confuso,
Que parece que delle Deos se esquece.

Casos, opiniões, natura, e uso,
Fazem que nos pareça desta vida
Que não ha nella mais do que parece.