Em quanto quiz fortuna que tivesse

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(Em quanto quiz fortuna que tivesse)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Em quanto quiz fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de hum suave pensamento
Me fez que seus effeitos escrevesse.

Porém temendo Amor que aviso désse
Minha escriptura a algum juizo isento,
Escureceo-me o engenho co'o tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! quando lerdes
N'hum breve livro casos tão diversos;

(Verdades puras são, e não defeitos)
Entendei que segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.