Fantina/XVIII

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XVIII
por Francisco Badaró


Fantina indo para a casa levar as fructas, viu Daniel debruçado na varanda. Depois de guardar o cesto no armario chegou á varanda e disse a elle :

— Tão cedo, hoje?

Elle voltando-se prendeu-a nos braços.

— Oh' Fantina, cedo para ver-te ? E bejocavam-se. Ella dizia estar afflicta pelo dia de possui-lo. Sonhava muito com elle, dizia. E o Daniel chorava, emquanto ella o acompanhava limpando as lagrimas, nmas grandes lagrimas de gratidão.

— Com que fim veio você hoje aqui ?

— Trazer uma carta do Zé de Deus a D. Luzia. E as cousas não andara boas... E sacodia a cabeça desconsoladamente. Tua senhora quer casar-se com o homem, e o Zé de Deus e todos não querem, porque elle é um perdido, sem eira nem beira.

Fantina escutava aquillo com muita admiração, porque suppunha que as pretenções de Frederico não fossem tão longe.

— Pois é assim, e passava a mão pelo rosario de ouro que enrolava o pescoço della, é assim... quando o Zé de Deus sahiu d'aqui foi damnado, porque pedindo D. Luzia em casamento, ella riu-se muito e não deu resposta.

— Deveras ? disse Fantina abrindo muito os dous grandes olhos, que brilharam como jaboticatubas maduras.

— Está o diabo — dizia Daniel —, porque nós vamos ficando de peor partido. Abra os olhos com elle... que senão...

Fantina tinha o olhar baixo e chorava. Um gato dando com uma chicara no chão, lá na sala de jantar, os fez separarem-se.


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