Horto (1910)/Lydia

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LYDIA


A Esther.



Feliz de quem se vai na tua idade,
Murmura aquelle que nâo crê na vida,
Ej não pensa sequer na mãe querida
Que te contempla cheia de saudade.

Pobre innocente! Se alegrar quem hade
Com tua sorte, rosa empallecida!
Branca açucena inda em botão cahida,
O que irás tu fazer na eternidade?

Foges da terra em busca de venturas?
Mas, meu amor, si conseguires tel-as
De certo não será nas sepulturas.

Fica entre nós, irmã das andorinhas:
Deus fez do Céo a patria das estrellas,
Do olhar das mães o Céo das creançinhas.