Hum mover de olhos, brando e piedoso

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(Hum mover de olhos, brando e piedoso)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Hum mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de que; hum riso brando e honesto,
Quasi forçado; hum doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso:

Hum despejo quieto e vergonhoso;
Hum repouso gravissimo e modesto;
Huma pura bondade, manifesto
Indicio da alma, limpo e gracioso:

Hum encolhido ousar; huma brandura;
Hum medo sem ter culpa; hum ar sereno;
Hum longo e obediente soffrimento:

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o magico veneno
Que pôde transformar meu pensamento