Ja do Mondego as águas apparecem

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(Ja do Mondego as águas apparecem)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Ja do Mondego as águas apparecem
A meus olhos, não meus, antes alheios,
Que de outras differentes vindo cheios,
Na sua branda vista inda mais crecem.

Parece que tambem forçadas decem,
Segundo se detem em seus rodeios.
Triste! por quantos modos, quantos meios,
As minhas saudades me entristecem!

Vida de tantos males salteada,
Amor a põe em termos, que duvida
De conseguir o fim desta jornada.

Antes se dá de todo por perdida,
Vendo que não vai da alma acompanhada,
Que se deixou ficar onde tẽe vida.