Lindo e subtil trançado, que ficaste

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(Lindo e subtil trançado, que ficaste)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Lindo e subtil trançado, que ficaste
Em penhor do remedio que mereço,
Se só comtigo, vendo-te, endoudeço,
Que fôra co'os cabellos que apertaste?

Aquellas tranças de ouro que ligaste,
Que os raios do sol tẽe em pouco preço,
Não sei se ou para engano do que peço,
Ou para me matar as desataste.

Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
E por satisfação de minhas dores,
Como quem não tẽe outra, hei de tomar-te.

E se não for contente o meu desejo,
Dir-lhe-hei que nesta regra dos amores
Por o todo tambem se toma a parte.