Memória sobre a ilha Terceira/Aditamento

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Memória sobre a ilha Terceira por Alfredo da Silva Sampaio
Parte IV — Aditamento


Aditamento


Depois de impressa a Parte IV deste nosso trabalho, efetuaram-se, em Angra, as seguintes alterações: mudança da Estação Telégrafo-Postal para um vasto edifício da Praça da Restauração, onde se encontram todas as repartições peculiares daquela Estação num só pavimento superior, e a instalação de um Laboratório de Análises, numa parte do ex-palácio do Marquês de Castelo Rodrigo, na Rua do Marquês, pertencendo atualmente ao cidadão João Machado Gomes.

A escola de desenho industrial, novamente criada pela Junta Geral, passou a denominar-se Escola Industrial Madeira Pinto, por Portaria de 4 de maio de 1904;[1] e, por Decreto de 19 de abril do mesmo ano,[2] foi considerada como escola oficial, equiparando desta forma as cartas dos cursos professados ali às das outras escolas oficiais do continente.

Neste edifício, além das aulas já mencionadas, funciona hoje uma aula de português e brevemente terá uma biblioteca e um museu escolar, o que, de futuro, prestará grandes serviços aos alunos.

Finalmente, na rápida descrição que fizemos da freguesia dos Biscoitos, deixámos de mencionar um importante melhoramento, que pretendeu fazer ali o ilustre terceirense António Ramos Moniz Corte-Real, já falecido. Em cumprimento de um voto que fizera, fundou em 1874, naquela freguesia, um asilo de infância desvalida, dirigido pelo seu fundador e auxiliado por uma irmandade denominada da Divina Providência, para a qual organizou estatutos, aprovados por alvará do Governador Civil de 19 de outubro daquele ano. Durante dois anos funcionou aquele asilo, até que, pela morte prematura de tão benemérito cidadão, teve de acabar tão útil estabelecimento.

Notas do editor[editar]

  1. Portaria de 3 de maio de 1904 (Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria — Diario do Governo, n.º 98, de 4 de maio) determinando que a escola industrial de Angra do Heroismo tenha a denominação de Escola Madeira Pinto. Por portaria da mesma data, publicada na mesma edição do Diário do Governo (a n.º 98, de 4 de maio de 1904), foram fixadas as disciplinas a ministrar e o respetivo quadro docente, incluindo o diretor da escola (o professor Ciríaco Tavares Silva).
  2. Decreto de 14 de abril de 1904 (Ministerio das Obras Publicas, Commercio e Industria — Diario do Governo, n.° 85, de 19 de abril) determinando que a escola de desenho industrial, a cargo da Junta Geral do districto de Angra do Heroismo, fique sujeita á superintendencia e inspecção da Direcção Geral do Commercio e Industria, regendo-se pelos preceitos da organização do ensino industrial e commercial de 24 de dezembro de 1901.