Não lamentes, Alcino, o teu estado

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(Não lamentes, Alcino, o teu estado)
por José Anselmo Correa Henriques
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas, que o registra como paródia ao Não lamentes, oh Nise, o teu estado. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto de Todos os Cornos.[1] Outros editores costumam atribuir este poema erroneamente ao Bocage.[2]

Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Cornissimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes córnos tem reinado.

Sicheu foi corno, e corno de um soldado:
Marco Antonio por corno perdeu a c′roa;
Amphitrião com toda a sua proa
Na Fabula não passa por honrado;

Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga letra da gazeta)
E entre mil cornos expirou vaidoso;

Tudo no mundo é sujeito á greta:
Não fiques mais, Alcino, duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.

Notas[editar]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.
  2. SILVA, Inocêncio Francisco da (Org.). Poesias eroticas, burlescas e satyricas. Bruxellas: [S. n.], 1900. p. 194-195.