Não te crimino a ti, plebe insensata

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(Não te crimino a ti, plebe insensata)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto XXXIV. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto da Beata Esperta.[1]

Não te crimino a ti, plebe insensata,
A van superstição não te crimino;
Foi natural, que o frade era ladino,
E esperta em macaquices a beata:

Só crimino esse heroe de bola chata,
Que na eschola de Marte inda é menino,
E ao falso pastor, pastor sem tino,
Que tão mal das ovelhas cura, e trata:

Item, crimino o respeitável Cunha,
Que a frias petas credito não déra,
A ser philosopho, como suppunha:

Coitado! Protestou com voz sincera
Fazer geral, contrita caramunha,
Porém ficou peor que d′antes era!

Notas[editar]

Para perfeita intelligencia d′este soneto, que de outra sorte ficaria talvez impenetravel à percepção dos leitores, ajuntaremos aqui resumidamente a historia que forneceu o assumpto de tal composição, a qual não deixa de ser curiosa, e vai fielmente extrahida dos apontamentos, que a esse respeito nos foram communicados.

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva. O texto por ele referido pode ser conferido em Historia maravilhosa da intitulada beata d'Evora.]

Além do soneto de Bocage, que deixamos transcripto no texto, a que a presente nota serve de illustração, outros mais appareceram ao mesmo assumpto. Os seguintes, que não deixam de ter seu merecimento, attribuem-se a Miguel Tiberio Pedagache:

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva. Os sonetos por ele referidos podem ser conferidos em 1) De c′rôa virginal a fronte ornada; 2) Acredite, sentado aos quentes lares.]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.