O moço loiro/XXIV

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O moço loiro por Joaquim Manuel de Macedo
Capítulo XXIV: Um mês


Depois de acontecimentos que muito sucintamente acabamos de relatar, um mês se passou por tal modo infecundo e árido, que justo parece passarmos também de um rápido vôo sobre ele.

Hugo de Mendonça deixou para sempre a sua bela casinha de Niterói. Ema havia tomado tal horror da vista daquele mar tão traidor com suas mansinhas e risi-bulhentas ondas, que lhe esteve para arrancar do coração a única, talvez a única corrente que ainda a prende ao mundo; Hugo mesmo lembrava-se todos os dias com tal horror da fatal noite de tempestade, que sua mudança para a corte foi determinada e prontamente executada, apesar do muito que Honorina se aprazia da meia solidão, do meio sossego que gozava naquela pequena e graciosa casa, abrigada por trás de sombrias árvores; e pode ser, das lembranças já doces que esse mesmo mar insano, que essas noites de claro luar lhe derramavam no espírito.

E, como se a interessante moça houvesse adquirido influência tão forte e decidida sobre o ânimo de Lucrécia, e impressão tão agradável nele tivesse produzido, que já não fosse possível a esta fruir com prazer a vida longe da filha de Hugo de Mendonça, a linda viúva abandonou também para logo a jovem cidade, que talvez, para alguns, semelhou, durante alguns dias, jardim desamado, donde se há arrancado para transplantar em outro suas flores mais mimosas.

Honorina, portanto, tinha como que duas existências ligadas à sua, como que duas sombras que acompanhavam seu corpo: a viúva e o moço loiro.

Mercê de vosso privilégio de autor, temos já entrado na alma de ambas essas personagens, e ter-se-á compreendido que tão benigno deverá ser o influxo de um, como maligno o da outra.

À primeira vista parecerá um contra-senso que tenha de partir o bem daquele que se esconde nas trevas, e o mal daquela que se apresenta com a face descoberta, sendo, tal qual é, a virtude sempre límpida e transparente, e vezes mil, ou antes de ordinário, a maldade misteriosa e encapotada; mas um momento de reflexão fará lembrar que outra é a capa e máscara da maldade, que não em todos os casos a escuridão da noite; outra mais negra ainda e ainda mais impenetrável que esta, é a hipocrisia; é o sossego do rosto, mentido às convulsões do espírito; o doce sorrir dos lábios por cima do amargor e do veneno do coração; o olhar meigo e terno dos olhos adiante da vesgueira enfezada do ânimo.

É possível que o futuro proceder das duas personagens, em quem por último tocamos, venha, ainda uma vez, demonstrar a veracidade dessa já velha observação.



. . .

E um mês se passou: um mês de suspiro para uma amante saudosa; de acerba melancolia para uma mártir de amor; de projetos e combinações sinistras para uma mulher falsária.

Iremos, pois, considerar três mulheres: Honorina, Raquel e Lucrécia.

Começaremos pela última.

Lucrécia, hábil e provecta, apesar de seus poucos anos, tinha compreendido, à primeira vista de olhos, que Otávio não era atendido por Honorina; ao mesmo tempo, porém, todas as ações, todos os passos, cada pensamento e cada palavra desse homem provavam até à evidência que ardente paixão concebera ele pela moça, e a que frio e ofensivo esquecimento estava a viúva condenada.

Lucrécia tinha em sua desmedida vaidade um horrível aparelho de torturas, ralada pelo qual via ela o belo quadro de seu passado apagado pela mão de Honorina; as viçosas flores de suas coroas de triunfo caídas, espalhadas por terra e aos pés dessa moça... e Lucrécia arquejava.

Embora inocente, a filha de Hugo de Mendonça era a causa dos seus tormentos... era a mulher por quem Otávio a esquecia... era a sua rival, isto é, a sua inimiga...

Ora, é possível que um homem, esquecido, desprezado pela sua amada, nem por isso se exaspere contra aquele por quem ela o deixou, a quem ela procura inutilmente conquistar e prender: pode mesmo suceder que o ofendido aplauda e estime o outro, como a sua vingança, quando está firmemente convencido que esse é amado, mas não ama.

Uma mulher, porém, não pensa por essa maneira.

A mulher é o ente que tem o privilégio de levar todos os sentimentos dessa ordem ao seu mais elevado grau. Aquela que se sente traída pelo homem que a amava, vai com seu olhar terrível e brilhante adivinhar, no meio de uma multidão de belezas, qual é a que lhe prefere; e ainda que essa não se levante diante de seus projetos, que seja inocente no afeto que inspirou, que mesmo maltrate ao homem, que sem retribuição a requesta, ela a olha como uma rival, uma inimiga, um insulto vivo a seu amor-próprio de mulher.

E o pensamento que primeiro e naturalmente se lhe apresenta é este — vençamo-la!

Sim; porque aí há duas ofensas, que não se perdoam facilmente: há, antes de tudo, uma outra mulher que pode agradar mais do que ela; que parece levantar sua cabeça e sorrir-se orgulhosamente vitoriosa diante dela; e há, depois, um escravo perdido, um homem que andou de rojo, beijando suas pisadas, e que agora a desdenha... a esquece... a despreza por causa de outra.

E, pois, a essa outra se odeia... e se quer também e a todo custo vencer.

Sim; porque há um grande e talvez único pensamento na vida da mulher, que, durante quarenta anos, a ocupa toda; que se alimenta, se rumina, e por ele se vive: é o amor, pensamento que iguala a aldeã à princesa; porque podem ambas amar da mesma forma, com o mesmo fogo, e ao mesmo homem: pensamento que poderá fazer com que a princesa desça do palácio e vá à cabana combater a aldeã; pois, se esta for a rival preferida, aquela que não deixou de ser mulher para sentar-se tão alta; que se ufana de agradar também, há de sentir arder seu amor-próprio no desejo vivo de vencê-la; e de vencê-la somente, como mulher.

Mas, para vencer, é preciso combater: e a mulher não se lembra nunca de atacar o homem que a traiu, porque seu único anelo é rebaixar aquela que lhe preferiu.

E onde ir feri-la?... e como abatê-la?... a mulher conquista o homem pela força dos encantos do espírito e do corpo; porém, para destruir os encantos do espírito de uma rival, era preciso que a ciumenta pudesse chegar com seus lábios até muito em cima e apagar com seu sopro de boca humana a chama brilhante do Criador: e isso é absolutamente impossível; ou então, o que seria muito louvável e nobre, adornar o espírito próprio, enfeitá-lo, aproveitar-se de suas disposições, ilustrar-se e brilhar por si mesma. Mas essa é uma vingança morosa... que se espera muito... que vem chegar tarde...

Restam os encantos físicos. Há contra eles dois meios poderosos: a enfermidade e o tempo; porém, aqui ainda esses meios escapam, porque as enfermidades não são como as pedras, que no chão se apanham para lançar-se ao rosto do inimigo; e as pragas do ciúme e do ódio não chegam até o alto dos céus para realizar-se. O tempo não corre hoje mais depressa do que ontem correu e amanhã correrá: o tempo não sairia de seu passo igual, compassado e imutável à voz de ninguém; e, sobretudo, não seria nunca uma mulher quem, para cavar duas rugas no rosto de uma rival, consentisse em ver outras cavadas no seu.

Todavia, há um ponto delicado, alvo, finíssimo e por demais sensível, que pode ser ferido em uma mulher; e que, quando nele se toca, basta que a adaga penetre uma só linha, para que o golpe seja mortal; para que ela caia ainda mais abaixo do que as que se sentam menos altas, e fique ombro a ombro com as que estão no fundo do abismo, esse ponto é a sua fama... a sua pureza... a sua honra: belo astro de luz, a quem a mais leve nuvem pode escurecer; fresca rosa matutina, a quem sobra o mais fraco sopro para roubar-lhe todo perfume; véu branco, transparente e fino, a quem o mais brando espinho é capaz de romper, e um simples átomo de poeira mancha para sempre.

E é contra esse ponto que a mulher, quando não tem nobreza, quando sua vaidade é tão grande como imperceptível sua virtude, vai direita tocar e pretender ferir; porque, ferido ele, sua rival, mesmo aos olhos do homem que mais loucamente a adora, fica por força abaixo dela, se está ainda incólume.

Este raciocínio importa uma verdade execrável... e, contudo, entre mil, entre mais de mil senhoras, que com sua angélica piedade, com a doçura e virtudes de seu sexo recuam horrorizadas diante de tal infâmia, uma ou outra, enfim, desgraçadamente se encontra, que se não turva ante a imagem de seus resultados, que a aceita, e se esperança nela.

Lucrécia, na concentração de seu ciúme, tinha compreendido que era essa a única maneira de se levantar sobre Honorina aos olhos de Otávio.

Lucrécia, jovem e bela, com seus olhos tão langorosos, com seu sorrir tão engraçado, concebendo pensamento tão medonho, era como abismo insondável escondido por um tapete de flores, que em sua boca se enredassem.

Para mais direta chegar a seus fins, a viúva procurou, fazendo por merecer a confiança de Honorina, entrar em seu coração e conhecer seus segredos; freqüentando com admirável assiduidade a casa de Hugo de Mendonça, Lucrécia se dizia a maior amiga da filha deste; e a alto gastar de desvelos e extremos, ela pareceu armar-se do direito de merecer essa confiança, que, todavia, Honorina só lha concedeu por metade.

Lucrécia, fingindo-se curiosa, ouviu então o que já sabia. A incauta moça falou-lhe das loucas pretensões de seus dois ridículos amantes, e da perseguição de Otávio.

A viúva mostrou-se assustada e receosa do que podia sofrer a reputação daquela, a quem chamava sua querida amiga, pelos atrevidos obséquios e cumprimentos de Otávio; quanto aos outros dois, dizia ela que não havia mesmo o menor inconveniente em Honorina animá-los para divertir-se.

Em seguida, vendo derramado o temor e o espanto pelo rosto da pobre moça, Lucrécia ofereceu-lhe um remédio, um meio para sair de tão difícil conjunctura; raciocinou de um modo claro, apoiou seus conselhos com sua experiência, e provou que Honorina devia demonstrar terminantemente o muito que lhe desagradava Otávio; que convinha mesmo mostrar preferir-lhe alguém; e, como pensava que seu coração ainda não havia feito escolha, lembrava-lhe a utilidade de fingir-se sensível à paixão de um dos dois parvos pretendentes; asseverou que talvez bastasse isso para desanimar Otávio; e concluiu dizendo que, como cumpria dar contas ao mundo, seria melhor atender antes a Brás-mimoso, que, como velho e tolo, pareceria a todos menos o objeto de uma verdadeira afeição do que o de um simples passatempo.

Lucrécia não tinha concebido ainda um plano de vingança: desarmada pela inocência, honestidade e nobreza de Honorina, ela podia apenas preparar, facilitar os meios de vingar-se, e esperar que o tempo lhe desse azo para o resto; mas, como para a execução de um projeto qualquer sempre haveria necessidade de um homem, ela foi pôr de mão o mais miserável de todos os apaixonados de Honorina: o ente escolhido foi Brás-mimoso; semelhante escolha lisonjeava seu ciúme, porque rebaixava sua rival.

A viúva não achou a menor dificuldade em trazer para perto de si e dispor para instrumento da predisposta vingança a Brás-mimoso: vaidoso e parvo, esse homem acreditou facilmente em tudo quanto lhe quis dizer Lucrécia. Ela começou por demonstrar-lhe que sua amiga de muitos anos, e conhecendo a paixão em que ele ardia por Honorina, desejava servi-lo e trabalhar para sua ventura; que nisso não só satisfazia a amizade, como ainda vingava-se de Otávio, que tão vilmente zombara dela; asseverou-lhe que Otávio não era um rival para temer, pois que a filha de Hugo de Mendonça o desprezava; e, enfim, para excitar um pouco o amor do velho gamenho, e torná-lo mais ávido da vitória, fê-lo crer que o único homem, cuja concorrência podia ser-lhe nociva, era o filho de Venâncio.

Segura de Brás-mimoso, de quem podia vir a precisar, Lucrécia continuou a acariciar e observar Honorina, esperando tudo mais do tempo.

O que narramos, muito passageiramente, foi, não a obra de um dia, mas o aturado trabalho de um mês inteiro; e seu resultado, embora muito incompleto, deveu-se ao desamparo de Honorina.

Porque Raquel a tinha vindo ver só três vezes em todo um mês...

Honorina sentia-se agradecida a Lucrécia pelo carinho com que por ela era tratada; mas ao mesmo tempo alguma coisa muito inexplicável a tornava incapaz de ser amiga da viúva. Escutando suas palavras, ouvindo falar em calúnia, Honorina tinha medo; na frente, porém, do mundo, que a assustava, ela estava vendo Lucrécia! ouvindo sempre, respondendo poucas vezes, e jamais prometendo, a filha de Hugo de Mendonça jurou manifestar a mais completa indiferença, e mesmo algum rigor a Otávio; mas teve tédio de parecer sensível a Brás-mimoso.

Amor era para ela um sentimento sagrado, e servir-se dele para uma zombaria, importava, em sua opinião, o cometimento de um sacrilégio.

Pura como tinha nascido, exaltada como o mais vivo afeto, Honorina amava com esse extremoso o amar de alguns corações de mulher, que são sentidos no mundo, escapados talvez por descuido dos anjos guardadores dos corações do céu.

Toda inteira votada ao homem, que pela primeira vez lhe fizera experimentar o anelante e doce sentimento, ela queria que seus olhos nem por fingimento ou gracejo despendessem com outro a ternura que guardava só para ele; que ninguém mais bebesse seus sorrisos, ninguém mais fosse objeto da meditação de seu espírito, e, enfim, que nenhum outro visse, nem por sonhos, a idéia de possuí-la.

Tal como o infame, que primeiramente se arreceia de entrar num jogo, que lhe hão pintado muito perigoso, porém, uma vez nele entrado, a ele todo se dá, e não o quer deixar mais; assim Honorina, que tocada das palavras e da moral fria de Raquel, concebera indizível terror da posição da mulher que ama neste mundo de perversão e de misérias, sentindo, depois, que amava o moço loiro, olvidou seus receios passados, e entregou-se a seu primeiro e doce amor com todo o enlevo, com toda a doce embriaguez de um coração virgem.

Consigo mesma ela se ufanava de amar; e cultivava seu terno e grandioso afeto com religioso desvelo: erigia-lhe um altar em sua alma, e incensava seu ídolo com pensamentos e suspiros.

Bela e inocente, o mundo dessas duas cidades, as colunas de desejosos mancebos, a multidão desses ociosos que querem sempre murmurar; dessas rivais que desejam rir-se, ferindo; desses curiosos que procuram tudo saber, e às vezes se atrevem a pretender adivinhar, tentavam, porém debalde, acertar com o objeto dos pensamentos dela.

O amor de Honorina era um segredo que só a Raquel havia sido confiado.

E o amor, que sentia a interessante moça, era também o único que lhe podia convir: toda espírito, toda imaginação e poesia, Honorina achava encantamento inexplicável em amar esse ente misterioso, quase imaginário, que se deixava ver resvalando pela sombra; que se fazia sentir pelo acento de sua voz sonora, ou pela benigna influência de seu gênio; que aparecia onde não era esperado, e que invisível velava por ela, como o anjo de sua guarda.

Honorina tinha passado um mês inteiro sem que uma nova aparição ou uma nova carta lhe viesse assegurar a constância do moço loiro; confiada, porém, na santidade do sentimento, que fazia então a ventura da sua vida, ela acreditava que aquele homem tão nobre, tão bravo, que por ela lutara braço a braço com a morte, não podia mudar nunca; que o moço loiro a amava sempre e muito; e que a chama que ardia em seus dois corações, acesa pelo sopro de Deus, devia ser, e seria brilhante e eterna como o sol.

Gastando todas as horas de seus dias em pensar no moço loiro, Honorina adormecia de noite para sonhar com ele; e, embora saudosa, ela vivia feliz, votando os suspiros de suas vigílias e os sonhos de seu leito ao escolhido de sua alma.

No meio, porém, de suas saudades e de suas esperanças, por entre os suspiros de suas vigílias e as belas imagens dos sonhos de suas noites, vinha muitas vezes misturar-se um pensamento melancólico e amargo; ao pé da lembrança do moço loiro aparecia também e sempre a lembrança de Raquel; e Honorina sentia murchar a flor de seus prazeres, recordando-se dos sofrimentos da sua amiga.

Com efeito, Raquel padecia muito.

O que lhe tinha contado Sara, o que lhe havia dito Honorina, provava que o moço loiro fingira dormir, quando ela o observara; que soubera aproveitar-se de sua momentânea ausência do quarto, onde escrevia à sua amiga, para traçar no verso de sua carta aquelas breves e eloqüentes linhas, que significavam o triunfo de Honorina; e ainda nas palavras que ele dissera à velha — eu creio que hei de vir a ser muito amigo dela — como que esse mancebo lhe quisera apagar a derradeira esperança, se alguma esperança lhe fosse dado nutrir; como que lhe estava ele chamando — Raquel, amor para ti é um impossível; eu posso apenas ser teu amigo!

E, portanto, não havia esperança para Raquel; nem lhe era dado, para mitigar sua dor, imaginar, enganar a si própria, desenhar no futuro uma simples ilusão; porque essa simples ilusão era a seus sonhos um crime, uma traição feita à amiga de seu peito.

O que podia restar à miséria?... um único abrigo: ela o achava na solidão.

Na solidão escondia ela ao menos suas lágrimas do pai carinhoso que a observava; porque Raquel não tinha o ânimo de outrora para ir derramar no seio paterno suas mágoas; porque há dores, há sofrimentos de que uma filha não se queixa à sua mãe sem corar primeiro até à raiz dos cabelos; e não pode acusá-los a seu pai sem um enorme sacrifício de seu pudor de virgem: dores e sofrimentos muito nobres, muito naturais, mas que a mesma natureza parece ensinar a engolir sem gemer em silêncio despedaçador...

Na solidão, porque lá não estava ao lado de Honorina, que, beijando-a com ternura de verdadeira amiga, lhe pedia conta de suas lágrimas; lhe obrigava a mentir mil vezes; chorava com ela e lhe falava no seu tormento... no moço loiro...

Na solidão enfim; porque a mulher, ainda mais do que o homem, quando sofre uma dor profunda... concentrada... incurável; quando ama, não é amada e não pode vencer o seu amor, deve chorar longe de todos... deve gemer com cuidado para que ninguém a ouça, para que os suspiros, que lhe podem escapar, não sejam sentidos... apanhados por ninguém... para que a causa de seu padecer não chegue a ser adivinhada... compreendida por ninguém... por ninguém desse mundo bárbaro, imoral e detestável, que zomba, que calunia, que não sabe adorar de joelhos o coração de uma mulher, que ama e que sofre por saber amar!...

Na solidão, portanto, Raquel ficou um mês inteiro, durante o qual só três vezes abraçou Honorina.



Fica, pois, aqui ligeiramente debuxada a história de trinta dias de três moças:

Honorina — aura que suspirava.

Raquel — pomba que gemia.

Lucrécia — serpente que se enroscava.