O moço loiro/XXXV

Wikisource, a biblioteca livre
< O moço loiro
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
O moço loiro por Joaquim Manuel de Macedo
Capítulo XXXV: Jorge e Raquel


Há uma dor aguda e profunda que punge como nenhuma outra; uma dor para a qual não há medicina possível — é o amor sem esperança.

Os que dizem que o tempo faz esquecer um amor não retribuído, não fazem mais do que repetir uma blasfêmia que ouviram; e o primeiro homem que o disse, o blasfemo, pensou ter amado sem que verdadeiramente amasse; e, quando procurou o amor, e achou vazio o coração, julgou que o tempo o tinha extinguido, semelhante àquele que, despertando de um sonho, buscasse a seu lado o objeto com que sonhava. Ama-se uma só vez na vida; e esse amor, o verdadeiro, é aroma do coração, que nunca se evapora de todo; é chama do espírito que nem se extingue, nem se abranda.

E, pois, o amor sem esperança é o martírio extremo da alma; é a dor terrível... inexplicável... incurável... eterna.

Aquele a quem morreu a formosa amada, sofre muito... muito; mas ainda sofre menos que o amante infeliz; porque na vida de lágrimas, que vive, tem a lembrança do amor que gozou; soam a seus ouvidos as doces palavras que ouviu; tem a saudade com sua agridoçura tão maviosa; tem o espírito repleto de imagens e de recordações; tem o coração cheio de vida de lágrimas...

Mas quem ama sem esperança, não tem nada no mundo... tudo é feio... estéril... negro; ontem... hoje... amanhã... sempre tudo feio... estéril... negro: ou então tem diante de seus olhos a beleza da mulher insensível, fazendo o seu cruel martírio; tem a felicidade dos outros risonha e galante defronte de sua desgraça carrancuda e feia; tem a vida dos outros desenhada em alegre painel ao pé de seu quadro de horrores; tem tudo belo fora... longe... alheio... dos outros; e tem em si somente a noite na alma... a morte no coração.

E ainda neste, como em todos os sofrimentos morais, experimenta a mulher dor mais desabrida que o homem; porque, principalmente no martírio de que falamos, além da dor, que é comum a ambos os sexos, e que provém do ardor desse desejo de ser amado e da impossibilidade de realizá-lo, da murchidão dessa esperança de amor, sem a qual não há felicidade possível, há demais, e em particular para a mulher, um golpe profundo em seu amor-próprio, há o sopro frio, glacial, saído da boca de um homem, apagando no rosto dela a luz de seu prazer e de sua glória... o anelo de agradar.

Mas é preciso ser mulher, ou ter ouvido falar a uma com a verdade com que se fala de joelhos aos pés de um padre, para conceber o penetrante segredo desse golpe!... é preciso, sim, para que se possa compreender o quanto sofre a mulher quando está vendo pisar... retalhar... moer... extinguir sua ambição de ser amada... sua interessante e perdoável vaidade!...

Havia, portanto, uma aflição ainda mais acerba do que aquela que consumia Honorina; porque a filha de Hugo de Mendonça não tinha sentido murchar a flor mais perfumada e bela de sua alma de mulher — a esperança de agradar ao homem amado.

E essa aflição desmedida... extrema... a estava provando uma moça cheia de encantos e de virtude... Raquel.

Honorina, pois, era, apesar da posição cruel em que se via, menos desgraçada do que a sua amiga; porque no rosto dela não, e no rosto desta sim, o sopro frio, glacial, saído da boca de um homem, apagara já a luz do prazer e da glória da mulher.

Como, porém, o amor de Raquel não é para nós um mistério; como a angélica alma dessa moça nos foi já uma vez patente, e aí lemos a relação de seu padecer e sua abnegação, a história do afeto que sentia pelo moço loiro, e da amizade que votava a Honorina, nós nos forramos do trabalho de desenvolver a mesma matéria.

Raquel continuava a viver em sua silenciosa agonia; suportava uma a uma todas as suas torturas sem soltar um único gemido; no entanto, fazendo sempre votos pela ventura de sua amiga, fugia de encontrar-se com ela, para não aumentar suas mágoas; e estava sempre só ou com seu pai.

Na corrente de suas intermináveis reflexões, levada da força de seu muito e tão longo padecer, Raquel pensava às vezes que era vítima de um castigo do céu por haver outrora desrespeitado o grande sentimento que vivifica a natureza; ela se recordava, então, quase horrorizada de si própria, daquele pensamento de gelo, que em uma noite ousara exprimir, dizendo: "amor é uma vã mentira! amor não é mais que uma das muitas quimeras com que a fantasia nos entretém na vida, como a boneca que se dá à criança para conservá-la quieta no berço... o amor não é mais que a flor de um só dia, que abre de manhã e antes da noite está murcha..."; e também, então, sorrindo-se com irônico e terrível sorrir, ela dizia a si mesma: pois bem!... eis aqui no meu coração a mentira... a quimera... a flor de poucas horas!...

Mas ao pé de Raquel, ao pé de sua angústia, vinha todos os dias sentar-se um ancião respeitável, que ficava horas inteiras triste... abatido... silencioso, olhando para ela. Era seu pai.

Antiga e mútua confiança de Jorge e Raquel; aquela transparência do coração da filha para os olhos do pai, parecia haver desaparecido. Dantes jamais Raquel sentia um simples dissabor, do qual Jorge não conhecesse para logo a causa; dantes nunca a filha experimentava uma afeição inocente, ou tinha no espírito uma dúvida qualquer, que o pai não fosse buscado para orientá-la em ambas com os conselhos de sua experiência. E agora Raquel geme, e não vai pedir a Jorge um remédio para sua dor; e agora o pai ouve gemer a filha, e não a interroga sobre a origem de seus gemidos.

Oh!... era porque ela sabia que seu pai não acharia um remédio para dar-lhe; e porque ele tinha compreendido que já era tarde; que o mal de sua filha já não podia ser curado pelo amor e conselhos paternais.

Entretanto, Jorge cercava Raquel de cuidados e desvelos; e, vendo desprezadas todas as festas, todas as distrações que lhe oferecia, ao menos para ver se nela despertava os adormecidos caprichos de moça, não deixava passar um dia em que lhe não trouxesse novos enfeites, jóias custosas, e magníficos brilhantes.

E, todavia, Raquel era sempre a mesma, padecendo em silêncio, não movendo uma só queixa e passando a maior parte do dia abrigada na solidão de sua câmara.

Jorge se havia determinado mil vezes a exigir de Raquel a relação completa de seus sofrimentos; para isso entrava todos os dias no quarto dela; mas, vendo-a pálida e imóvel, sentada desleixadamente em seu leito, como esquecida de si própria, o pai não tinha ânimo de quebrar o silêncio da filha, de sondar aquele segredo doloroso, temendo ver redobrar tantos tormentos à menor pergunta; como certos pólipos, que se ensangüentam logo que são tocados, ele supunha aquela mudez semelhante à camada de cinza que envolve a brasa ardente... e, portanto, Jorge ficava defronte de Raquel horas inteiras, pensativo... melancólico... silencioso como ela mesma.

O coração de Jorge devia, pois, estar também violentamente amargurado; um dia, enfim, ele se resolveu a penetrar a todo o custo o segredo de sua filha, e dirigiu-se para isso à câmara dela: foi na manhã em que Raquel tinha recebido o último bilhete de Honorina.

Jorge encontrou a triste moça na mesma posição e no mesmo estado em que constantemente a achava. Como receando perder o ânimo, se olhasse para seu rosto, o pai sentou-se, e, desviando os olhos do leito onde estava Raquel, disse:

— Minha filha, o que é isso?... o que tens?...

A moça levantou os olhos para seu pai; mas logo depois os abaixou, corando fortemente.

— Outrora tu depositavas todos os teus inocentes segredos no meu seio; tu me fazias confidente de tuas passageiras tristezas, e longas alegrias; tu me dizias o que sentias; tudo o que pensavas; por que, pois, não continuas a praticar o mesmo?... já te fiz arrepender da doce confiança que em mim tinhas?... não sou sempre o teu amigo?... Raquel!... minha Raquel!... já deixei eu de ser pai?...

A triste senhora, ouvindo esta última pergunta de seu pai, feita com voz pungente e quase desesperada, saltou do leito, e, sufocada em soluços, soltando um dilúvio de lágrimas que presas estavam há muito tempo, caiu de joelhos aos pés de seu bom velho e abraçou-se com ele ternamente.

— Raquel!... minha Raquel!... não chores assim!... tem piedade de teu pobre pai!...

— Meu pai!... balbuciou a infeliz levantando-se nos braços de Jorge.

E os dois ficaram aí docemente abraçados... chorando ambos... misturando seu pranto de pai e de filha, que se combinava tão bem, quando bastantes lágrimas tinham corrido, e eles sentiram menos pesados os corações... sem corar de seus soluços... desatando-os sem tentar comprimi-los, sentaram-se defronte um do outro.

— Raquel, disse Jorge; eu sei que tu amas...

— Sim, meu pai, eu amo.

Pelo modo com que lhe respondeu sua filha, Jorge conheceu que tudo lhe ia ser relatado; que a mútua e antiga confiança se restabelecera.

— Pois, então, minha filha, continuou Jorge, por que esconder-me tanto tempo esse doce sentimento?... quem pode furtar-se a essa mimosa lei da natureza?... a escolha de teus olhos deverá ser por força digna de teu coração...

— Eu creio que sim, meu pai; é um moço nobre e destemido...

— Sabe ele que tu o amas?...

— Não, meu pai, nem o saberá nunca.

— Como não o saberá nunca, minha filha?... se tu o amas, se ele é digno de ti, poderei eu querer que chores assim toda a vida, que não sejas venturosa ao lado dele?...

— É porque meu pai não sabe que há uma barreira enorme, que para sempre me separa desse homem!...

— Seria possível, perguntou Jorge confuso, que minha filha amasse um homem casado?...

— Eu penso, com razão, que ele é solteiro.

— Que te falta pois?...

— O amor dele, respondeu amargamente Raquel.

— Raquel... não te faltam encantos.

— Meu pai, há outras mais belas do que eu.

— És rica...

O rosto de Raquel tornou-se rubro de vergonha; ela, que já amava, compreendeu, então, facilmente a verdade que Honorina exprimira a semelhante respeito: "é torpe! é um horrível sacrilégio negociar um homem com a desgraçada simpatia que lhe tributa uma mulher!... é torpe, é um horrível sacrilégio ir um homem ajoelhar-se aos pés do altar, receber a bênção do sacerdote, estendendo a mão para uma triste mulher, com os olhos no seu rosto e o pensamento no seu dinheiro"!...

— Honorina tinha bem razão!... murmurou ela baixinho.

Depois voltou-se resoluta para seu pai e disse:

— Meu pai, eu vou dizer-lhe tudo; a verdadeira causa de meus tormentos não está no amor, está no desespero.

— No desespero?...

— Eu não posso esperar ser amada.

— E por quê?...

— Eu não devo trabalhar para sê-lo.

— Mas qual a razão?...

— Tenho um único partido a seguir... chorar em segredo.

— É que eu não compreendo...

— Meu pai vai saber tudo.

Então Raquel passou a referir a Jorge todas as circunstâncias de seu amor; sem esquecer uma só delas, disse tudo; a amizade e confiança que merecia de sua amiga; o amor do moço loiro por ela; a cena passada em casa de Sara... tudo enfim.

Jorge escutou atento e admirado a estranha revelação que lhe fazia a filha; no fim dela, deixou-se ficar mudo, pensando no mísero estado de sua pobre Raquel, e na misteriosa existência desse moço, que podia mover tanto amor e tantas lágrimas.

— E então, meu pai?... perguntou Raquel tristemente.

— Tu tens razão, minha filha, respondeu Jorge abatido e frio.

— Posso eu esperar ser amada?...

— Não.

— Devo eu trabalhar para sê-lo?...

— Não.

— Não é verdade que o só partido que me resta a seguir é chorar em segredo?...

— É derramar tuas lágrimas no meu seio, minha filha!...

— Oh!... e é bem terrível ter de chorar sempre!...

— E quem te disse que hás de chorar sempre?...

— Mas se eu não tenho esperança alguma, meu pai!...

— Um amor desgraçado, minha filha, pode ser curado com outro amor mais feliz.

Raquel, por única resposta, sacudiu a cabeça; ela tinha razão, um coração nobre não ama duas vezes.

— Raquel, continuou Jorge, é preciso amar a outro; desterra essa tristeza; vamos de novo aos saraus, às festas, às assembléias; na multidão dos mancebos, que lá se encontram, talvez um chegue a agradar-te. Qualquer que ele seja, contanto que a infâmia ou o desregramento o não manche, dize-mo... e rico ou pobre, pequeno ou grande, será teu esposo.

— Não haverá para mim outro como ele, meu pai. É melhor que eu fique como estou, chorando sem contrafazer-me a seus olhos, e derramando o meu pranto no seu seio, do que tenha de esconder minhas lágrimas de um marido que eu não ame, nem possa nunca amar.

— Raquel, disse Jorge, levantando-se para sair, eu te deixo; modera tua aflição ao menos por minha causa; e, quando tiveres necessidade de um companheiro para chorar e gemer contigo, vem para junto de teu pai!

Os dois se abraçaram de novo ternamente, e daí a um instante Raquel estava só.

Jorge tinha deixado sua filha senão menos desgraçada, todavia mais animada e capaz de resistir à crueza de seu destino; achar um companheiro para gemer conosco, para conosco falar do mal que sentimos, não é um remédio, mas é sempre uma consolação. Raquel tinha achado um companheiro em seu próprio pai.

Não que as últimas palavras que dele acabara de ouvir lhe desenhassem um fagueiro íris de esperança no horizonte de sua vida, não. Jorge havia dito que um amor desgraçado pode curar-se com outro amor mais feliz; porém Raquel, que, devendo responder sempre com respeito a seu pai, sacudiu apenas negativamente a cabeça, repelia dentro de si semelhante idéia, como ofensiva à pureza de seu coração.

A bela jovem, que nunca amara antes de ver o moço loiro, até então tinha sua alma livre dessas impressões ardentes, como um vaso virgem e delicado, onde jamais se lançara nenhum líquido; o primeiro, que aí se depositasse, devia por força entranhar-se nos poros dele, e deixar para sempre arraigado seu perfume. O moço loiro apareceu... sua imagem preencheu um vácuo, que havia no coração de Raquel, sem que ela o pressentisse... tomou parte na sua vida... ficou senhor de seus pensamentos... ganhou, enfim, o amor de Raquel... o primeiro amor... o único verdadeiro e eterno.

Raquel ergueu-se, e pela primeira vez, depois de quinze dias, dirigiu-se para seu toucador; enfim, ela era mulher... queria ver como se achava o seu rosto... o seu tesouro... ela viu e recuou!...

O fogo de seus olhos estava quase extinto... fora substituído pelo langor da melancolia: as rosas de suas faces haviam murchado... desaparecido e cedido o seu lugar aos brancos jasmins do sofrimento; seus lábios não se amoldavam mais ao gracioso sorrir dos dias de ventura; o belo anjo do prazer se trocara pela sombra graciosa da saudade! Raquel recuou espantada de si própria, dizendo:

— Como estou mudada! meu Deus!... eu causo medo!...

E, todavia, jamais Raquel poderia ter-se mostrado tão bela aos olhos de um jovem poeta!... ela tinha no seu rosto toda a sublime e interessante beleza da dor misteriosa.

Fugindo de seu toucador, Raquel foi de novo cair no leito, e outra vez entregou-se a seus tristes pensamentos; duas longas horas se haviam já passado assim nesse viver de eloqüente silêncio, apenas interrompido por suspiros, quando ela sentiu os apressados passos de alguém que para sua câmara se dirigia.

Raquel levantou-se prontamente e viu entrar seu pai, pálido e agitado.

— Meu pai, exclamou Raquel correndo para ele, o que sucede?...

— Uma desgraça, minha filha, um acontecimento fatal!

— Então o que é?...

— Amigos nossos que se acham perdidos!...

— Quem, meu pai, quem?

— Hugo de Mendonça... sua família inteira.

A desgraça de Hugo já era conhecida na praça; não se sabia quem espalhara a terrível notícia... fora talvez Otávio... ou talvez uma previsão, porque, assim como parece que às vezes o povo adivinha funestos acontecimentos políticos... ou se espalha em uma cidade a perda de uma batalha que longe se dá... sem se saber donde veio tal nova, ou quem a trouxe, assim também no comércio adivinham-se os apuros de um negociante, prevê-se uma quebra, conta-se com um infortúnio.

— Mas, meu pai, então o que há?... perguntou Raquel assustada.

— Uma quebra: a casa de Hugo vai cair; e sua família tombará na miséria.

— Oh! minha boa Honorina!... exclamou a moça com violenta expressão de sentimento.

Jorge encarou com prazer indizível aquela dor aguda que sentia a filha pela desgraça de sua rival.

— Meu pai, disse Raquel, então há enormes dívidas?...

— Que sobem talvez a mais de cem contos de réis!

— E o Sr. Hugo não achará nenhum meio de salvar-se?...

— Se no mês que corre, pudesse conseguir a terça parte dessa quantia, ainda poderia sustentar-se por algum tempo... para cair mais tarde...

— E então?...

— Não haverá, portanto, quem se atreva a expor a uma perda quase certa tão avultada soma, indo oferecê-la a Hugo; e Hugo mesmo rejeitaria, porque conhece que não poderá pagá-la.

— O que lhe resta pois?...

— Ir, como um homem honrado, entregar tudo o que possui aos credores.

— Oh, minha boa Honorina! exclamou outra vez Raquel.

E, correndo para seu toucador, abriu uma gaveta, tirou dela seu cofre de jóias, que despejou sobre o leito; devorou, então, com os olhos os antigos e os novos e numerosos presentes de seu pai; contou um por um seus braceletes, adereços, brincos, bandós e flores de brilhantes; contou um por um todos os seus anéis, todas as suas jóias, enfim, e, depois, apontando com o dedo para a riqueza de seu toucador:

— Meu pai, disse ela, o valor de tudo isto?...

— É grande, sem dúvida muito elevado.

— Poderia chegar para salvar o Sr. Hugo de Mendonça de suas primeiras dificuldades?...

— Seguramente!... respondeu o velho, admirado.

Raquel caiu de joelhos aos pés de Jorge, e com lágrimas nos olhos, com voz comovida exclamou:

— Meu pai!... meu pai!... se me tem amor, permita que eu faça alguma coisa pela minha amiga!...

Havia na ação que praticava Raquel para salvar a sua própria rival, aquela que era amada pelo homem que ela amava; havia na dor dessa moça, no oferecimento de suas jóias um não sei quê de tão nobre, de tão grande e generoso, que Jorge pretendeu debalde falar... e começou a soluçar, chorando abraçado com o seu querido anjo.

Porque Raquel tinha, na verdade, uma alma de anjo.