O raio crystallino se estendia

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(O raio crystallino se estendia)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

O raio crystallino se estendia
Por o mundo da Aurora marchetada,
Quando Nise, pastora delicada,
Donde a vida deixava se partia.

Dos olhos, com que o sol escurecia,
Levando a luz em lagrimas banhada,
De si, do fado, e tempo magoada,
Pondo os olhos no Ceo, assi dizia:

Nasce, sereno sol, puro e luzente;
Resplandece, purpurea e branca aurora,
Qualquer alma alegrando descontente;

Que a minha, sabe tu que desde agora
Jamais na vida a podes ver contente,
Nem tão triste nenhuma outra pastora.