Ondados fios de ouro reluzente

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(Ondados fios de ouro reluzente)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Ondados fios de ouro reluzente,
Que agora da mão bella recolhidos,
Agora sôbre as rosas esparzidos
Fazeis que a sua graça se accrescente;

Olhos, que vos moveis tão docemente,
Em mil divinos raios incendidos,
Se de cá me levais a alma e sentidos,
Que fôra, se eu de vós não fôra ausente?

Honesto riso, que entre a mór fineza
De perlas e coraes nasce e apparece;
Oh quem seus doces ecos ja lhe ouvisse!

Se imaginando só tanta belleza,
De si com nova gloria a alma se esquece,
Que será quando a vir? Ah quem a visse!