Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/517

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lindo que um criado lhe trouxe. O cavallo rompeu logo á desfilada adiante de todos, chegou a casa, entrou pela porta dentro, e n'isto ouviu-se uma voz, que disse: — Ah damnado, que te filei! A casa foi pelos ares com tudo que tinha dentro, e quando o acompanhamento do noivado chegou ao sitio só achou um lago, que ainda cheirava a enxofre.» Ha uma preciosa versão oral nos Contos populares portuguezes, n.º LXXIV.


140. Os dois caminhos. — O thema tradicional do caminho que vae dar ao céo e do que vae dar ao inferno conserva-se entre o povo. (Vid. n.º 55.)


141. A Papisa Joanna. — Acha-se uma referencia a esta lenda, no livro de Mariannus Scotus, Chron. ad annum 854, dizendo que «Leão IV teve por successor uma mulher chamada Joanna, que occupou a cadeira de Pedro durante dois annos, cinco mezes e quatro dias.» Em outro chronista do fim do seculo VIII, Sigberto (da collecção de Leibnitz), se lê: «Conta-se que este João fôra uma mulher, conhecida sómente por um dos seus familiares…» Nos Annaes de Othon, bispo de Fressingue, que chegam até 1146, diz-se que este papa João era uma mulher. O mesmo testemunho se acha nas chronicas de Gifrid Arthur, Godefroy de Viterbo (da collecção Freher), collocando a papisa Joanna entre Leão e Bento. No seculo XIII, Martim Polonus, dominicano e penitenciario dos papas João XXI e Nicolau III, diz na sua Chron. ad annum 854 (da collecção de Leibnitz): «que Joanna era filha de paes inglezes e nascida em Mayence, e que depois de ter sido papa dois annos, cinco mezes e quatro dias, morrera de parto, em uma procissão, e foi enterrada sem honra no mesmo logar em que expirára. Os soberanos pontifices nunca mais passaram por esta rua, e iam para a basilica de Latrão por outro caminho.» Um bispo da Galliza, Bernardo Guy, do seculo XIV, nas suas