Pensar é preciso/III

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Pensar é preciso por Salvatore D’ Onofrio
Capítulo III: Moisés: as Tábuas da Lei e o Judaísmo


“Reflexões sobre Filosofia, Religião, Literatura, Política, Cidadania”[editar]

Como a civilização do Ocidente se divide em antes e depois de Cristo, assim a religião judaica tem em Moisés sua figura central. As três grandes religiões monoteístas têm uma origem comum, centrada na figura mítica do patriarca Abraão, conforme descrito por Moisés, seu descendente, que foi o primeiro historiador e legislador do povo hebraico: o Judaísmo: do Velho Testamento; o Cristianismo do Novo Testamento (Jesus, descendente de Abraão e Sara, via Isaac e Jacó, também chamado de Israel); e o Islamismo: de acordo com o Corão, Maomé descende de Abraão e Agar, via Ismael.

Conforme os relatos bíblicos, teríamos a seguinte genealogia: Adão → (depois de oito gerações) → Noé (Jafé, Sem e Cam) → de Sem (depois de mais oito gerações) → Abraão, que casou com Sara e teve Agar como concubina. De Sara → Isaac → Jacó e Esaú. De Jacó, depois de 37 gerações, conforme o evangelho de São Mateus, nasceu Jesus, com base na tradição judaica. Já, pela tradição islâmica, apoiada no livro do Gênesis, outra mulher de Abraão, a serva egípcia Agar, deu à luz Ismael, considerado o ancestral dos muçulmanos.

Moisés, que viveu ao redor do séc. XIII a.C., é o personagem bíblico central, não apenas do ponto de vista mítico, mas também histórico, pois sua figura se encontra entre os Patriarcas, os lendários fundadores da religião judaica (a partir do séc.XVIII a.C.) e os Profetas, os mestres de doutrina e anunciadores da chegada do Messias, que se sucederam do séc.VIII até ao II a.C. A Bíblia foi compilada ao longo de mais de um milênio, contendo mitos, lendas, histórias, leis, profecias, ritos, poemas, orações. A história da formação dos textos bíblicos é muito complexa e controversa, devido o longo tempo que se passou entre a tradição oral e o início da escritura, sucedendo-se vários contadores de histórias e redatores.

O Velho Testamento (“Aliança” entre Jeová e o povo judeu) foi escrito na língua hebraica, com algumas passagens em aramaico. Os diferentes escritos passaram a compor uma antologia traduzida para o grego, entre 250 e 130 a.C. É a lendária “Versão dos Setenta” (Septuaginta), encomendada por Ptolomeu II para a célebre Biblioteca de Alexandria do Egito. A tradução da Bíblia para a língua latina, incluindo os quatro Evangelhos canônicos, chamada de Vulgata, foi supervisionada por São Jerônimo (342-420). Os demais textos do Novo Testamento foram reunidos num único volume apenas no séc. VI.