Pois meus olhos não cansão de chorar

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(Pois meus olhos não cansão de chorar)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Pois meus olhos não cansão de chorar
Tristezas não cansadas de cansar-me;
Pois não se abranda o fogo em que abrazar-me
Pôde quem eu jamais pude abrandar;

Não canse o cego Amor de me guiar
Onde nunca de lá possa tornar-me;
Nem deixe o mundo todo de escutar-me,
Em quanto a fraca voz me não deixar.

E se em montes, se em prados, e se em valles
Piedade mora alguma, algum amor
Em feras, plantas, aves, pedras, agoas;

Oução a longa historia de meus males,
E curem sua dor com minha dor;
Que grandes mágoas podem curar mágoas.