Tornae essa brancura á alva assucena

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(Tornae essa brancura á alva assucena)
por Luís Vaz de Camões
Poema agrupado posteriormente e publicado em Obras completas de Luis de Camões (1843, v. II)

Tornae essa brancura á alva assucena,
E essa purpurea côr ás puras rosas;
Tornae ao sol as chammas luminosas
De essa vista que a roubos vos condena.

Tornae á suavissima sirena
D'essa voz as cadencias deleitosas:
Tornae a graça ás Graças, que queixosas
Estão de a ter por vós menos serena:

Tornae á bella Venus a belleza;
A Minerva o saber, o engenho, e a arte;
E a pureza á castissima Diana.

Despojae-vos de toda essa grandeza
De dões; e ficareis em toda parte
Comvosco só, que he só ser inhumana.