Uni meu sujeito indigno

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Soliloquio de Me. Violante do Ceo ao Divinissimo Sacramento: glozado pelo poeta, para testemunho de sua devoção, e credito da veneravel religiosa. por Gregório de Matos
XIX
Poema agrupado posteriormente e publicado em Crônica do Viver Baiano SeiscentistaOs Homens BonsPessoas Muito Principais
Mote

Uni meu sujeito indigno
a esse objeto soberano,
fareis do divino humano,

fareis do humano divino


1Mostrai, Senhor, a grandeza
de tão imenso poder,
unindo este baixo ser
a tão suprema beleza:
uni, Senhor, com firmeza
a este barro nada fino
o vosso ser tão divino,
ligai-vos comigo amante,
convosco em laço constante
Uni meu sujeito indigno.

2Fazei, Senhor, com que fique
desta união tal memória,
que tão peregrina história
a vosso amor se dedique:
justo será, que publique
em seu pergaminho lhano
vossa glória o peito humano,
e que o mundo suspendido
vejo um pecador unido
A esse objeto soberano.

3Como da vossa grandeza
não há mais onde subir,
será realce o vestir as túnicas da vileza:
muito o vosso amor se preza
de abater o soberano;
serei eu o Publicano
indigno do vosso amor:
vinde a meu peito, Senhor,
Fareis do divino humano.

4Fareis humanado em mim
créditos à divindade,
porque o vosso incêndio há de
transformar-me em serafim:
fareis deste barro enfim
frágua de incêndio mais digno,
fareis do grosseiro o fino,
que isso é glória do saber
e por timbre do poder
Fareis do humano divino.