Dicionário de Cultura Básica/Napoleão

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Dicionário de Cultura Básica por Salvatore D’ Onofrio
Napoleão


NAPOLEÃORevolução francesa → Absolutismo

Do sublime ao ridículo há só um passo

Napoleão Bonaparte (1769–1821) é uma das mais importantes figuras históricas da Europa, tornando-se, ao mesmo tempo, uma escola política ("Bonapartismo") e uma lenda ("Epopéia napoleônica"). Pertenceu a uma abastada família da Córsega, ilha no mar Tirreno, entre a Itália e a França, cujos membros formaram a dinastia "Bonaparte". Estudou na Escola Militar de Paris, onde se tornou Tenente da Artilharia, conhecedor dos pensadores políticos do séc. XVIII. Participou da Revolução Francesa, sendo jacobino declarado. Sua carreira militar e política começou na Itália, chefiando o exército francês e, logo em seguida, no Egito, onde demonstrou suas qualidades de estrategista e administrador, lutando contra a armada inglesa. Em 1802, voltando a Páris e nomeado "cônsul vitalício", reorganizou a administração pública e ativou a economia; dois anos depois, foi coroado Imperador da França pelo papa Pio VII. A partir de 1805, iniciou uma política de conquistas, tentando expandir o Império francês. O ciclo de conflitos bélicos, chamado de "Guerras napoleônicas": vitória de Austerlitz contra austríacos e russo (1805); de Iena contra os prussianos (1806); de Friedland contra os russos (1807); invasão de Portugal (1807) e Espanha (1808). O apogeu napoleônico deu-se em 1811, com o nascimento de um filho do segundo casamento com a duquesa austríaca Maria Luisa (a primeira esposa, Josefina, não lhe dera descendência): Napoleão II, passado à história com o nome de "Rei de Roma". Na chefia do chamado "Grande Exército", invadiu a Rússia, chegando a ocupar Moscou; mas o inverno rigoroso de 1812 e a tática guerrilheira do general Kutuzov, obrigaram o exército napoleônico a uma retirada estratégica, que se tornou desastrosa. Aí começara o declínio do Império de Napoleão. No ano seguinte, uma colisão de potências européias derrotou as forças francesas na batalha de Leipzig. Com a queda de Paris, em abril de 1814, Napoleão foi obrigado a abdicar. Preso na ilha de Elba, conseguiu escapar. Os "Cem Dias" da sua volta terminaram com a derrota definitiva em Waterloo, em 1815. Morreu confinado na longínqua ilha de Santa Helena, em 1821. Suas cinzas retornaram à França, em 1840, estando depositadas no Museu dos Inválidos. Antes de morrer, Napoleão ditou suas memória ao amigo Las Cases, que publicou o Memorial de Santa Helena (1823).

A gloriosa figura histórica de Napoleão instigou a fantasia de poetas, artistas plásticos e cineastas. Logo no início da arte cinematográfica foi editado o filme Napoléon (1926), dirigido pelo Diretor Abel Gance e interpretado pelo famoso ator Albert Dieudonné, que se tornou o primeiro grande marco da cinematografia pelas inovações técnicas utilizadas na reconstrução histórica do ambiente em que viveu o líder francês. O romance clássico da literatura russa, Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, é um painel da Rússia na época da invasão de Napoleão. Vários pintores e escultores eternizaram as façanhas do imperador francês, através de retratos e estátuas, que adornam praças e museus.