Nojenta prole da rainha Ginga

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(Nojenta prole da rainha Ginga)
por Bocage
Poema agrupado posteriormente e publicado em Poesias eroticas, burlescas e satyricas como Soneto XVIII. Edições posteriores, tal como uma de 1969, atribuem apócrifamente a este poema o título Soneto ao Árcade Lereno.[1]

Nojenta prole da rainha Ginga,
Sabujo ladrador, cara de nico,
Loquaz saguim, burlesco Theodorico,
Osga torrada, estupido resinga;

E não te accuso de poeta pinga;
Tens lido o mestre Ignacio, e o bom Suppico;
De occas idéas tens o casco rico,
Mas teus versos tresandam a catinga:

Se a tua musa nos outeiros campa.
Se ao Miranda fizeste ode demente,
E o mais, que ao mundo estolido se incampa:

É porque sendo, ob Caldas, tão somente
Um cafre, um goso, um nescio, um parvo, um trampa,
Queres metter nariz em cu de gente.

Notas[editar]

É dirigido ao padre Domingos Caldas Barbosa (Lereno Selinuntino) no tempo das contendas com os Arcades (vejam-se para a historia d′esta guerra a «Livraria Classica» tomo XXIII e o «Estudo Litterario» no tomo VI da nova Edição das Poesias de Bocage a pag. 329 e seguintes).

Como em qualquer das duas obras, nos logares que deixamos apontados, se encontram varias poesias satyricas, com que os contendores e rivaes d′Elmano o brindaram, em desforra e retribuição de muitas, que elle lhes dirigira (as quaes tambem podem lêr-se no tomo I da citada edição de Bocage de paginas 341 a 363) parece-nos que os leitores nos haverão em graça que lhes completemos a collecção d′essas obras, dando-lhes incorporadas não só algumas das já impressas, que por circumstancias e motivos obvios se haviam publicado com suas lacunas, restabelecendo-as aqui na sua integra, mas tambem outras, de que por ventura não terão conhecimento. Ahi vão portanto em seguida todas as que conservamos d′esta especie.

[Nota de Inocêncio Francisco da Silva. Os poemas por ele referidos podem ser conferidos nas páginas a seguir: 1) Emquanto a rude plebe alvoroçada; 2) Morreu Bocage, sepultou-se em Gôa!; 3) Esqueleto animal, cara de fome; 4) Ha junto do Parnaso um turvo lago; 5) De todos sempre diz mal; 6) Impondo duração além das eras.]

  1. MATTOSO, Glauco. Bocage, o desboccado; Bocage, o desbancado. São Paulo: 2002. Disponível em <http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm. Acesso em: 28 maio 2014.