A flor que és, não a que dás, desejo

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(A flor que és, não a que dás, desejo)
por Ricardo Reis
Variante em manuscrito de texto publicado por Fernando Pessoa na primeira edição da revista Athena, outubro de 1924, p. 19-24.
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Ad juvenem rosam offerentem

 
A flor que és, não a que dás, desejo.
Porque me negas o que te não peço?
Tão curto tempo é a mais longa vida,
   E a juventude nela!
 
Flor vives, vã; porque te flor não cumpres?
Se te sorver esquivo o infausto abismo,
Perene velarás, absurda sombra,
   Buscando o que não deste,
 
Na oculta margem onde os lírios frios
Da ínfera leiva crescem, e a corrente
Monótona, não sabe onde é o dia,
   Sussurro gemebundo.
 
21-10-1923