De novo traz as aparentes novas

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(De novo traz as aparentes novas)
por Ricardo Reis
Texto publicado por Fernando Pessoa na primeira edição da revista Athena, outubro de 1924, p. 19-24.
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De novo traz as aparentes novas
Flores o verão novo, e novamente
   Verdesce a cor antiga
   Das folhas redivivas.
Não mais, não mais dele o infecundo abismo,
Que mudo sorve o que mal somos, torna
   À clara luz superna
   A presença vivida.
Não mais; e a prole a que, pensando, dera
A vida da razão, em vão o chama,
   Que as nove chaves fecham
   Da Stige irreversível.
O que foi como um deus entre os que cantam,
O que do Olimpo as vozes, que chamavam,
   Scutando ouviu, e, ouvindo,
   Entendeu, hoje é nada.
Tecei embora as, que teceis, grinaldas.
Quem coroais, não coroando a ele?
   Votivas as deponde,
   Fúnebres sem ter culto.
Fique, porém, livre da leiva e do Orco,
A fama; e tu, que Ulisses erigira,
   Tu, em teus sete montes,
   Orgulha-te materna,
Igual, desde ele, às sete que contendem
Cidades por Homero, ou alcaica Lesbos,
   Ou heptápila Tebas,
   Ogígia mãe de Píndaro.