O mar jaz. Gemem em segredo os ventos

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(O mar jaz. Gemem em segredo os ventos)
por Ricardo Reis
Variante em manuscrito de texto publicado por Fernando Pessoa na primeira edição da revista Athena, outubro de 1924, p. 19-24.
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O mar jaz. Gemem em segredo os ventos
   Em Eolo cativos,
Apenas com as pontas do tridente
   Franze as águas Neptuno,
E a praia é alva e cheia de pequenos
   Brilhos sob o sol claro.
Eu quisera, Neera, que o momento,
   Que ora vemos, tivesse
O sentido preciso de uma frase
   Visível nalgum livro.
Assim verias que certeza a minha
   Quando sem te olhar digo
Que as coisas são o diálogo que os deuses
   Brincam tendo connosco.
Se esta breve ciência te coubesse,
   Nunca mais julgarias
Ou solene ou ligeira a clara vida,
   Mas nem leve nem grave,
Nem falsa ou certa, mas assim, divina
   E plácida, e mais nada.
 
6-10-1914