Dicionário de Cultura Básica/Escultura

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Dicionário de Cultura Básica por Salvatore D’ Onofrio
Escultura

ESCULTURA (formas e evolução)

Do verbo latino sculpere, o substantivo sculptura é arte da estatuária, lavrando madeira, mármore e outros materiais, com diversas ferramentas, para criar formas e volumes de objetos em três dimensões ou apenas relevos sobre um fundo ou esculturas só de ornamento. A origem da Escultura, como de outras artes, se perde ao longo dos tempos, existindo nas civilizações mais primitivas (egípcia, grega, romana, indiana, chinesa, americana pré-colombiana). Na mitologia grega, aparece a figura de Dédalo (→ Ícaro), considerado o primeiro grande escultor. Para atender ao desejo da rainha de Creta, Pasífae, apaixonada por um touro, ele construiu a estátua de uma vaca, revestida de couro, onde a esposa do rei Minos se ocultou para ser emprenhada pelo animal, parindo o Minotauro, um ser com cabeça de touro e corpo humano, vencido pelo herói Teseu (→ Ariadne). A arte da Escultura, inicialmente, estava ligada à religiosidade, esculpindo-se, predominantemente, estátuas de divindades, grandes (para o culto coletivo) e pequenas (estatuetas domésticas). Com o Renascimento, a arte da estatuária se tornou também profana, com fins puramente estéticos. É desta época o maior gênio da escultura, Michelangelo, a quem dedicamos um verbete à parte. Durante as monarquias européias, do séc. XVII ao XIX, a escultura foi largamente utilizada para a decoração de palácios e praças públicas com estátuas e bustos comemorativos; enquanto, no Brasil, a grandiosa arte barroco-rococó do Aleijadinho é posta ao serviço do culto religioso. Na segunda metade do séc. XIX, aflora Auguste Rodin (1840–1917), o escultor francês mais famoso. Suas obras mais importantes encontram-se no atual Museu de Rodin, em Paris. Sua arte ultrapassa o Realismo e o Romantismo, conectando-se ao renascentista Michelangelo, de quem se considerou discípulo. O trabalho artístico que o imortalizou foi a escultura em bronze O Pensador, 1880. No início do séc. XX, as várias correntes estéticas da Vanguarda na Europa ampliaram a riqueza potencial da Escultura, utilizando materiais e técnicas mais avançadas. Além do mármore e do bronze, materiais nobres tradicionais, passaram a ser usados outros metais: cobre, ferro, madeira, gesso, alumínio, resinas sintéticas e outros materiais plásticos. Entre os artistas do escalpelo, não podemos esquecer o britânico Henry Moore, que em 1948 recebeu o Prêmio Internacional de Escultura da Bienal de Veneza, especialmente pela famosa obra Figura Reclinada, estátua moderna de 1,37 m de altura, que tenta transmitir a emoção do eterno tema da mulher, vista como deusa, amante e procriadora.